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quarta-feira, 20 de março de 2013

Leitura Alimenta


       
       Uma iniciativa feita por publicitários de São Paulo chamou a atenção da mídia (como a Revista Galileu) ao tentar promover a leitura entre as pessoas que têm pouco acesso aos livros.
        Você já pensou se, nas cestas básicas, além dos tradicionais alimentos e produtos de higiene, também fossem inseridos livros como itens necessários para a sobrevivência? E você pode ajudar a levar livros às pessoas sem acesso, doando exemplares ou dinheiro (todas as informações desta iniciativa estão no rodapé). O projeto, muito bem bolado, é intitulado Leitura Alimenta e não à toa tem esse nome.
          A leitura alimenta mesmo a alma. É uma possibilidade única de viajarmos entre palavrinhas que podem transformar a nossa vida, não só porque podemos encontrar histórias significativas num formato qualquer, mas porque é uma maneira de acionarmos o imaginário. E, ninguém melhor do que nós mesmos para dar vazão a nossa imaginação. Quando pergunto a minha sobrinha qual melhor Harry Potter: o dos livros ou dos filmes, ela sempre diz: “tia, o livro é muito melhor! Tem muita mais coisa”. E eu acredito. Imagine como deve funcionar o mundo mágico de Potter na mente criativa, farta e deliciosa dos pré-adolescentes? A história lida fica mais intrigante.
        Já vi quem criticasse a leitura de Harry Potter. Acho impossível gostar dos clássicos o tempo todo. Não sabemos, mas, de repente, Harry Potter pode se tornar tão clássico no futuro quanto Capitu é hoje um clássico de Machado de Assis.
Particularmente, adoro os romances e os cenários criados por Jane Austen e acredito que um livro como Orgulho e preconceito seja muito mais charming de ler do que assistir ao filme baseado no romance. Sabe por quê? Porque só Jane Austen consegue mostrar os equívocos do amor no silêncio de seus personagens. O amor, portanto, é o que está nas entrelinhas. É a dúvida, o mistério, o não dito! E na vida real, qual amor é a certeza? Acho isso fantástico! Portanto, para mim, Jane Austen é incrivelmente boa escritora. E a indico como uma ótima leitura, até para os brutos, em doses nada homeopáticas.   
        Antes de toda a tecnologia surgir, como na época de Orgulho e preconceito, a leitura de um livro era “a maneira” como as pessoas se divertiam. Não havia televisão, nem rádio, nem computador, nem nada disso. Abrir um livro, era – e sempre foi - um jeito de se entreter, de se deslocar do real para o imaginário. Um escritor pode contar qualquer história em um livro, mas só nós podemos imaginar (ou recriar) o cenário da história contada. Também, por isso, um livro é tão rico. Além disso, acredito que se uma pessoa lê uma obra passa a se interessar, mais facilmente, por outros assuntos que não faziam parte do seu cotidiano até então.   
        Só que a leitura, historicamente, em nosso país, era restrita às classes mais abastadas. Ler era para quem pudesse pagar por um livro e não para quem o desejasse. O estigma de que leitura era para poucos durou séculos no Brasil. De algumas décadas para cá, a leitura se tornou parte de um universo mais amplo. Além dos estudantes, qualquer pessoa passou a ter mais acesso à leitura, em virtude da diversidade de obras publicadas, pelo valor mais acessível dos exemplares ou por causa da maior divulgação.
        Ainda assim, sabemos que ler, em nosso país, não é um hábito como é para os ingleses, por exemplo. Muitos vão defender que a leitura se aprende quando criança; que se não for incentivada antes da adolescência raramente a pessoa terá interesse. Será? Faça um teste. Doe um livro a uma pessoa e veja qual deve ser sua reação.
        Eu acredito que a Leitura Alimenta. E você?






p.s: link da iniciativa: Leitura Alimenta
p.s1: a reportagem da Revista Galileu: Revista Galileu 


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