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Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Best Wishes!



        No último post do ano, pensei em vários temas para dividir com vocês. Aí imaginei uma listinha com os melhores desejos que tenho aos leitores. E, depois de gastar um pouco de fosfato pensei: já sei, vou falar sobre uma lista especial!
        Quando um novo ano começa é comum as pessoas fazerem listas com desejos materiais ou palpáveis: um carro novo, um novo emprego, um namorado amável, a viagem dos sonhos. Claro, quem não quer? Quem não quer ser o mais novo milionário de 2014? Quem não quer tirar um ano de férias? Quem não desejaria não ter que se preocupar com a conta bancária? Seria maravilhoso, não?
        Mas, como sei que milagres não acontecem assim, da noite para o dia - quantos milionários se encontram pelas ruas? Quantas pessoas estão felizes com seu relacionamento? – pensei em falar sobre uma lista mais prática que pode ajudar a tornar 2014 um ano mais bacana e também comunicativo!
        É claro que desejo que 2014 seja um ano bacana, mas o que tem que ser bacana mesmo é a maneira como se olha para os desafios. E, para isso, não adianta fugir: é preciso olhar para quem se é e o que desejaria mudar em você. Sabe por quê? Porque acredito que quando se olha para quem é, permite-se superar as dificuldades e os mais enraizados dos hábitos, que podem, inclusive, atrapalhar os sonhos. Que tal, então, fazer uma lista de comportamentos e atitudes que você mudaria em si mesmo? Ah, que chata essa brincadeira, né? Mas, ela é necessária.
        Ser comunicadora é como o muro das lamentações: as pessoas chegam para você e dizem que querem melhorar a comunicação com os funcionários. Mas, acreditam, cegamente, que os problemas são os funcionários e não quem está falando. Que tal todos começarem a perceber a maneira como se comunicam? Ou então, tem gente que quer melhorar a Oratória sem tentar vencer a timidez. Ou quer ser assertivo sem deixar de assumir a responsabilidade sobre aquilo que se fala. Não é possível, desculpa ser franca, mas isso não vai acontecer sem que avance um pouco sobre suas próprias dificuldades.
         E, é por isso mesmo que eu insisto: desejo que em 2014 você vença tudo aquilo que acredita que precisa melhorar em si e para isso sugiro uma listinha especial. Pode ser sua relação com a família, com o dinheiro, com as pessoas, com sua Oratória, enfim, aí vai de você. Mas, por que uma listinha, você vai me perguntar? Porque, em geral, é muito fácil apontar os erros dos outros, sem olhar para aquilo que se faz. É pouco provável que se vá encontrar alguém, até mesmo entre os entes queridos, falando assim: “nossa, gostaria tanto de mudar essa minha avareza! Quem pode me ajudar?”. Isso não existe. O que existe é que as pessoas tendem a achar que não têm coisas a resolver consigo mesmo. Como disse Sartre: “O inferno são os outros.” E aí, ficam apontando os erros dos outros, sem entender que o que lhe impede de crescer são os seus próprios medos. Brinco com os mais chegados que tenho uma listinha “best wishes” com coisas que gostaria de melhorar que não vai dar tempo de falar mal de ninguém em 2014. Rssssss.
        Olhar para si, sem receio, é como comunicar o melhor de você para você mesmo! Não está feliz contigo? Não gosta da sua avareza? Proponha-se a um trabalho voluntário. Não gosta da sua timidez, proponha-se a começar uma reunião na empresa. Você acha que todo mundo passa por cima de você? Comece a se posicionar. Tudo pode melhorar. Mas, sem esse exercício, corre-se o risco de entrar ano e sair ano sem entender o que você pode dar de melhor para você e para os outros. Quem não se percebe, se investiga, corre o risco de fazer outras coisas: além de falar mal do outro (porque não consegue se superar), pode tentar controlar a vida dos outros.
        Dou muita risada quando vejo as pessoas falando coisas do gênero: “olha, eu sei o que é melhor para você”. Se ninguém lhe disse isso, vou dizer: não, você não sabe! Tentar administrar a vida dos outros e impor formas de pensar, agir, vestir ou comer ou de administrar qualquer coisa é a comprovação de que não está se olhando com carinho. Não é possível que você não tenha coisas mais urgentes a resolver do que tentar fazer com que todo mundo faça o que você faz. Toda vez que fizer isso, sugiro que volte para a sua listinha e se ocupe com as suas dificuldades. Nada de ficar brincando com a listinha dos outros. Coisa feia!
        Quando alguém lhe pede ajuda, você oferece o que está ao seu alcance, mas não imponha maneiras de se viver. Esse foi o maior aprendizado da minha vida. Lembro-me quando era jovenzinha, tipo uns 20 anos, eu me maquiava maravilhosamente bem. E queria que minha irmã mais nova também gostasse de maquiagem (leia-se: tentava controlar a vida dela). Toda vez que ela saía, eu queria maquiá-la com sombras, rímel e tudo aquilo que eu podia mostrar que eu sabia! Ela é bióloga e não gosta muito de maquiagem. Demorou para eu entender que impunha a ela um “modus operandi” que era meu. Se eu soubesse da listinha, teria pedido para o ano 2000 que eu fosse mais segura e parasse de tentar agradar tanto as pessoas com uma maquiagem impactante.
        É claro que os anos mudam e os desejos da lista vão mudando também. Aliás, a palavra mudança cai muito bem para encerrar esse assunto e para começar 2014. Não lembro onde foi que li algo assim: “vivemos infelizes por medo de mudança”. E, então, o que você mudaria em você?



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

Pessoal, a todos um Natal de muito amor e paz!
E, um 2014, em que nós sejamos a mudança!



quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Como anjos...

        Cláudia dá o último retoque na maquiagem antes de sair de casa. Olha no espelho rapidamente, vê o relógio e observa que está atrasada. É uma reunião importante para ela e bastante decisiva. Lembrou-se que tem que pegar o filho de cinco anos mais cedo, que ficou na casa dos avós para que pudesse trabalhar até de madrugada.
       Mas, a arquiteta ainda estava preocupada com o projeto. Antes de dormir, pensou: “não sei, não estou gostando muito daquele canteiro central que desenhei para o cliente. Gostaria que fosse diferente.”
        Apressada, entrou no carro, soltou um grande suspiro e bravejou contra o trânsito. Pensou: “vai dar certo!” No meio do caminho percebeu que ainda estava com tempo de sobra e não queria chegar tão cedo ao cliente, para não parecer desesperada com o projeto. Ela, realmente, estava desesperada para conquistar aquele cliente! E, claro, precisava do dinheiro. Viu um posto de combustível e resolveu parar para comprar uma água.
        Entrando na loja, pegou água, um suco e umas bolachinhas. Mas, não observou que a fila estava grande. Foi, então, que pensou: “Saco! Por que é que eu fui parar?” E, não teve outro jeito a não ser esperar. E, então, a sua frente, dois homens conversavam. Um deles, disse: “estava pensando em fazer um canteiro lá para o consultório para colocar umas plantinhas bacanas. Como médico, gostaria de tornar o espaço mais legal para os pacientes. E você sabe que minha mulher me deu uma opção interessante? Ela disse: por que você não faz um canteiro assim e assado?”
        Cláudia não pôde acreditar naquilo que ela estava ouvindo! Era a solução ideal para o canteiro. Aquela ideia era brilhante e se encaixava perfeitamente no projeto. Ficou tão interessada na história que puxou conversa com o médico: “olha, você me desculpa, mas eu não pude evitar ouvir sua conversa. Estou fazendo um projeto que tem canteiro e essa ideia que você teve é maravilhosa e acredito que vá se encaixar no meu projeto. Você se importa se eu usá-la?”
        Depois daquela conversa, Cláudia chegou ao cliente muito mais confiante e feliz! E, claro, fechou o negócio. O cliente ficou satisfeito com o projeto e com o canteiro. Além disso, acabou fazendo amizade com o médico e sua esposa.
        Cláudia é o nome fictício de uma amiga que prefere não se identificar. Mas, que conta essa história com muito orgulho. Certa vez, ela me disse: “tudo o que é nosso chega até a gente! Mas, é preciso estar com os ouvidos e olhos bem abertos!”
        Concordo plenamente com ela. Acredito, honestamente, que ao longo de um dia, recebemos sinais diferentes com dicas daquilo que podemos fazer para nós mesmos ou para o nosso trabalho. Mas, nem sempre estamos atentos por causa das preocupações do dia a dia. E, claro, quando ficamos pensando e pensando nem sempre chegamos a alguma conclusão, não é mesmo? E aí, vem alguém de fora e fala algo assim, despretensiosamente, que pode se encaixar perfeitamente naquilo que precisamos para aquele momento.
        Brinco que quando isso acontece, é porque nosso anjo da guarda tentou falar algo para a gente, mas não demos muito pelota. E aí, eles têm trabalho redobrado. Devem pensar: “tá bom, vou tentar alguém mais atento que você”.
        Confessem, vocês nunca ouviram algo que era exatamente aquilo que precisavam ouvir? Mesmo que seja de pessoas que você não conhece muito? Vocês acreditam no acaso? Eu não! E quanto mais acredito nisso, mais encontro pessoas que podem ser pontes para algo novo. Pessoas que me conectam a outras, que me levam a ter ideias que não tive e que me ajudam a me cuidar naquilo que não prestei atenção.
        Apenas para comprovar essa teoria, esse ano perdi um voo. Enquanto estava no caminho para o aeroporto, o taxista disse: “olha, não quero parecer pessimista, mas o tempo está fechado em todo o Brasil, vi na televisão”. Pensei: “chato, não quero lhe ouvir”. E aí, peguei congestionamento, me deu dor de cabeça, enjoo. Pensei: “nossa, eu estava tão bem”. Enfim, cheguei ao aeroporto e já tinha feito o check in antes,  então, faltava apenas embarcar. Mas, quando cheguei ao embarque a moça me disse: “corre, que esse voo acabou de ser encerrado.” Não deu tempo! Fiquei tão chateada que pensei: “como deixei isso acontecer!” Então, fui para a rodoviária e peguei o primeiro ônibus.  Quando cheguei ao destino, seis horas depois, liguei a televisão: “todos os voos para o destino tal foram cancelados”. O voo que iria pegar voltou para Curitiba porque não conseguiu pousar no destino.
        Lembrei-me, então, do taxista. Não é que ele tinha razão? Pessoas podem ser como anjos da guarda, dependendo da atenção ou abertura que damos ao acaso. E mais, depende também da nossa humildade e flexibilidade em admitir que não sabemos tudo!
        Nesse ano tive tantos anjos da guarda que só tenho a agradecer. Pessoas me lembraram de que eu devia cuidar melhor da minha saúde, deram-me ótimas dicas de trabalho, me ajudaram com o blog, me inspiraram com suas histórias, me levaram a lugares que nunca fui antes, me ajudaram a ter coragem. Então, agradeço a esses anjos da guarda, ainda que eles não saibam que tiveram esse papel!
        E me ajudaram a lembrar de que anjos da guarda existem! Esses dias estava dando aula para uma classe bastante cheia, o que torna mais difícil guardar os rostinhos e nomes. Lembro-me de depois de quatro dias de trabalho, ter dividido alguns planos meus com os alunos, em conversas mais descontraídas. E, no último dia, no último minuto de aula, uma aluna virou para mim e disse: “professora, você está nas minhas orações! Você vai conquistar tudo o que deseja!”
        Quantas pessoas lhe desejam tão bem assim, dessa maneira tão gratuita? Eu a agradeci! Nem preciso dizer que fiquei emocionada!
        São ou não são como anjos da guarda essas criaturas que nos visitam de vez em quando? 








quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mar azul

        Assim como toda criança da minha época, gostava muito de pular. Adorava jogar queimada com os colegas de sala até ficar com as bochechas vermelhas. Gostava de elástico, pique-esconde e corda. Gostava de quase tudo o que representasse pular. Mas, o que mais gostava era de estar em uma piscina.
        Piscinas sempre tiveram uma conotação diferente de qualquer outra coisa que eu fizesse na vida durante a infância. Era quase como um santuário: um lugar onde eu poderia passar muito tempo sem me importar com nada. Poderia deixar a pele enrugada como a de um ancião, que não fazia diferença. Nadar era o extremo do prazer, da alegria, da representação de algo feliz.
        Não à toa, durante muitos anos - até que saísse da infância – eu pedia a Papai Noel que eu me mudasse para o clube que eu frequentava porque, assim, eu poderia ter uma piscina olímpica todos os dias na minha vida. Eu não queria só uma piscina, queria morar no clube mesmo, com as cadeiras, o guarda-sol, todas as árvores enormes e aquela gente toda. Eu, honestamente, não me importaria de dividir o clube com as pessoas. Apenas queria morar nele.
        Eu só não sabia que quando pedimos coisas ao Papai Noel, elas acontecem, mesmo que de um jeitinho um pouco diferente. Vinte anos se passaram e as piscinas sempre fizeram parte da minha vida. Virei nadadora.  E, um belo dia, uma técnica, observando a minha adoração pela água, me perguntou: por que você não nada no mar?
        Uau! Como assim? E, então, com um frio enorme na barriga, me deparei com a piscina mais legal que eu já tinha visto na minha vida: um grande mar azul! Não que eu não tivesse entrado antes no mar, mas era a primeira vez que iria nadar no mar, distante da areia. Foi minha primeira travessia! Lembro-me até hoje que quando entrei no mar, tive vontade de voltar. Tive vontade de chorar! Mas, tremendo de medo, entendi que eu poderia ter exatamente aquilo que eu mais gostava na vida: nadar abraçada por muita água.
        A sensação de estar no meio do nada, longe de qualquer segurança, enfrentando às vezes frio, ondas estranhas e água salgada podem soar pouco romântico para quem nunca fez uma travessia. Mas, apesar de tudo isso, posso garantir que essa é a sensação mais leve e tranquila que alguém pode ter (ou que eu já tive, pelo menos,  pois sei que tem gente que não gosta de água). Não é só a sensação de paz, mas a certeza de que Deus confia em você porque se você não nadar, pode morrer. Então, só lhe resta nadar e, no meu caso, com um sorriso no rosto de fora a fora porque, para mim, nadar é como não pensar. Apenas nado.
        Não foi uma, nem duas, nem três vezes em que senti, enquanto fazia uma travessia, uma imensa sensação de realização. Ficava nervosa antes de entrar no mar, treinava mais do que devia para garantir meu desempenho, mas nada disso realmente importava. O que queria -  e tudo o que queria -  era a certeza que eu poderia voltar a nadar no mar. E fiz isso durante muitos anos.
        E, foi a partir desse momento que eu entendi que quando fazemos exatamente aquilo que amamos, enfrentamos qualquer desafio. Mas, para isso, precisamos assumir, para nós mesmos, o que é felicidade. Eu não havia me dado conta do porquê eu queria me mudar para o clube quando era criança. Mas, hoje entendo que o mar, assim como a piscina, são presentes que me dou quando posso. Não sou a mesma nadadora, não tenho mais o mesmo desempenho, mas dar minhas braçadas é ainda a garantia de um presente muito legal. E quem não gosta de ser presenteado?

        Por isso, lhe aviso: cuidado com o que pede ao Papai Noel. Porque tudo, mas tudo mesmo, pode se realizar!





quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O começo do fim!

             Não. Talvez não seja nesse último mês que você vai perder aqueles três quilos que desejava perder desde o começo do ano. Talvez não conclua aquele curso de inglês que interrompeu três vezes, no último semestre. Talvez não encontre mais horários vagos na agenda da ginecologista que você adora e que vai ficar os três primeiros meses de 2014 fora, fazendo pesquisas.
        Acredito também que talvez não consiga ver aquela amiga do coração, que teve bebê há quatro meses, mas você não teve tempo para vê-la. Penso também que talvez não encontre aquela passagem aérea para o destino que tanto queria ir e que você se esqueceu de reservar. Talvez você não encontre apartamentos na praia. Não encontre aquele vestido ou aquela camisa para passar o Réveillon dos sonhos porque a loja, que tanto gosta, já reservou as peças as outras clientes fofas(os).
        Talvez você não encontre vagas nos shoppings. Talvez não encontre vaga na lista cobiçada do seu cabeleireiro, que, coitado, não vai respirar até às 23h do dia 24 deste mês. Talvez você não encontre aquele livro de arte que queria dar para sua orientadora e que quis comprá-lo o ano todo, mas simplesmente deixou para dezembro.
        Talvez você não encontre também quem possa cuidar dos cachorros para viajar tranquilo. Ou, talvez não encontre aquele panetone artesanal que só a dona Cidinha faz e que, como acontece todos os anos, os pedidos se encerram na primeira semana de dezembro.
        Aliás, talvez não dê conta de tantos compromissos! E talvez tome todo refrigerante que não tomou o ano todo porque, com certeza, tem pelo menos cinco festas de fim de ano para ir: a da família, a do serviço, a das colegas da pós, a das amigas do curso de francês e dos amigos de corrida no parque. Pensando bem, se duvidar, talvez não sobrem nem Coca-Colas nos supermercados até o dia 24 de dezembro. Rssssss.
        Está aberta a temporada do começo do fim! O mês de dezembro é, sem dúvida alguma, o momento em que todo mundo quer tudo como se, em vez de se celebrar a chegada de algo novo, estivesse se protegendo do fim do mundo.
        Até agora na história da humanidade, ao final de um ano, inicia-se outro. Normal, né? Então, por que todo mundo quer fazer tudo em dezembro? E mais: com tantos compromissos a serem realizados, como você acredita que se comunica com qualquer pessoa durante esse mês? Com mais estresse, mais cansaço, mais pressões de todos os lados, acredita que estará conversando e dialogando naturalmente com as pessoas? De que adianta tantos compromissos se você está transbordando irritação ou insatisfações?
       Não à toa, o fim do ano é aquele momento em que as pessoas mais brigam, discutem ou trocam ofensas pelo nada, seja em família ou no trabalho e até em uma viagem tão desejada.
        E aí, existem existem caminhos prováveis (tudo pode ser o “talvez”) para a sua comunicação: exercer profundamente a sua diplomacia, entendendo que fez a escolha por manter tudo e que vai se sair bem nessa maratona. Portanto, esteja consciente de que irá ao “front” e a batalha só termina daqui um mês. Até lá, sua comunicação deverá se parecer como a do presidente dos Estados Unidos: sempre pronta e quase sempre bem humorada para quase tudo! Ou, você pode simplesmente se dar o direito de não escolher pela maratona e entender que talvez não dê conta de tantos compromissos e que terá que tirar eventos da agenda. E que, por mais diplomacia que se tenha, talvez você não tenha mesmo é vontade de lidar com tudo isso. E garantir que sua comunicação possa ser a tradução do seu respiro!
        E agora? A largada dessa maratona já foi dada. Qual a sua escolha?





quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Momento espelho!

        
          Tenho um parente que fala assim: “estou naquele momento espelho”. A primeira vez que ouvi isso, achei estranho e perguntei: “o que é isso”? E, então, o parente disse: “é quando eu reflito sobre as coisas”. Achei engraçadíssimo!
        E, então, adotei a máxima: em qualquer ocasião que se é necessário refletir sobre algo, existe o “momento espelho”. E o momento espelho é completamente estendido também à comunicação.
        Na maioria dos cursos que dou, brinco com os participantes: “olha, a partir de hoje vamos começar a praticar a comunicação de uma maneira diferente. Vamos entender que tudo aquilo que falamos é responsabilidade nossa mesma - o que os outros entendem é problema dos outros, mas o que falamos é problema nosso - e que não é nosso diabinho interno que deixa escapar aquela frase mal colocada!” A maioria, no começo, leva a afirmação na brincadeira, mas logo, logo percebe que a brincadeira é coisa séria.
         Acredito que as pessoas realmente têm boa vontade na hora de se comunicar uns com os outros. No entanto, como um mal que possa acometer a quase todo mundo, aos poucos – e talvez com a natural intimidade – as pessoas deslizam na maneira como se comunicam. Entenda “deslize” como uma série de dificuldades comunicativas.
        A principal delas é, sem dúvida, não ter consciência daquilo que se está falando. Acredito que você, leitor, já deve ter reparado que, de vez em quando, observa alguém do seu escritório ou da sua casa falando desaforos, coisas “atravessadas” ou passando do ponto por pouco. E ainda complementa: “pronto, falei”.
        Comunicar não é uma arte e não é necessário ser o Chacrinha para se comunicar bem com os outros ou, até mesmo, exercer a persuasão. Mas, é preciso ser alguém que pratique o respeito em qualquer situação dialógica. Respeito mesmo! E é aí que entra a consciência. Como irá respeitar alguém se não presta atenção naquilo que fala? Onde está sua consciência nessas horas?
        Muita gente pode justificar-se em virtude das tensões do dia a dia ou considerar uma situação ruim que passou para lançar aos outros provocações, ataques gratuitos, críticas improdutivas ou ofensas diretas ou indiretas de qualquer ordem. Mas, pense um pouco: se você precisa metralhar palavras ruins aos ventos é preciso admitir que algo dentro de você não está bem, mesmo que você não saiba disso. Além disso, se você não está bem e despeja palavras ruins, isso não melhora seu estado de espírito. Melhora? Talvez piore, porque poderá contaminar os demais com sua insatisfação. E, só porque você não está bem, se sente no direito de falar ou julgar ou ainda irritar os outros? Que egoísmo!
        E, nessas horas, o mais curioso é que, em geral, quem faz uma ofensa ou desaforo não tem a mesma coragem para pedir desculpas. Ou se ofende quando alguém retruca ou lhe coloca em seu lugar. Mas, é que você se esquece de que alguém, assim como você, também pode estar no seu mal dia e também não saiba dominar o seu diabo interno. Veja só que coincidência! Ou melhor, alguém que está em seu ótimo dia vai lhe mostrar o seu diabinho para você!
        Quando se diz algo pesado ou uma ofensa, existem, em geral, duas opções: refletir um pouco sobre o que você está sentindo, antes e depois de abrir a boca, ou culpar o outro pelo seu mal dia, que já estava mal antes de você dialogar.
        Você pode domar esse diabinho que tanto lhe atrapalha. Não seria o momento de se recolher para observar o que lhe está causando angústia ou qualquer outro mal? Ou você não pratica o “momento espelho”? Sugiro que se olhe no espelho - sim, porque é um momento literalmente de reflexão -  e questione o que você está sentindo e por que você está sentindo aquilo. Ou, por que você não está feliz com o seu trabalho, casamento ou amigo ou conta bancária? Não importa! Cada um tem um desafio diferente, todos os dias. Mas, não olhar com dignidade para os desafios só acaba por refletir numa fala pesada, carregada de sentimentos confusos.
        E, então, diagnostique seus sentimentos, sem medo do que vai encontrar! Feito isso, é hora de separar o joio do trigo. Ou melhor, entender que você está tendo esse sentimento, mas os outros não.  Certifique-se que, mesmo que não consiga resolver o seu problema imediatamente, que você irá “domar” seu diabinho e que não irá descontar em ninguém suas aflições. Afinal, deve haver algum amigo que possa ouvir com amor e coração aberto as suas angústias, após o expediente. Então, não existe motivo para metralhar chatices!
        E, mais: se você estiver em um dia tão ruim que tem vontade de sair chorando no meio da rua, indico-lhe uma atitude muito simples e muito valiosa: ajude alguém! Abrace uma criança, ajude um velhinho a atravessar a rua, alimente a quem precisa ou escute os problemas da sua colega de mesa, no trabalho. Ajudar aos outros, principalmente quando precisamos de ajuda, não é só um sinal de altruísmo! É uma maneira de ajudar a nós mesmos, porque somos capazes de perceber que nossos problemas não são assim tão ruins quanto parecem. E que, se olharmos com amor e fé para nós mesmos, ainda somos capazes de ser pessoas mais humanas!
        E, naquele “momento espelho”, você passa da raiva para a bondade! E, agora sim, é capaz de ver exatamente aquilo que queria ver refletida no espelho: o amor! Pensando bem, esse momento espelho não é ruim! Basta refletir um pouco!





quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Chico e seus amores!

                Chico Buarque é um caminho sem volta pela alma feminina. Digam o que quiser os homens, mas não há homem como o Chico! Ele não apenas traduz uma sensibilidade que só as mulheres têm quando o assunto é o coração, como também expõe, sem ser piegas, as fragilidades do amor feminino.
        Não é que os homens não amam como as mulheres, mas poucos são capazes de assumir aquilo que o coração deseja. E Chico fez (e ainda faz) letras que mostram esse lado da mulher que não podia ser mostrado porque era coisa de mulher. Que machismo!
      Deus me livre classificar Chico Buarque como um cantor romântico. Não é isso. Todos sabem que, como uns dos artistas mais renomados em todo país e mesmo no mundo, Chico escreveu sobre inúmeras temas, não apenas sobre o amor. Foi revolucionário, criou letras sobre a cultura, sobre a miséria humana, sobre comportamentos. Mas, particularmente, acredito que é na hora de falar do amor ou da falta dele, que Chico mostra porque é Chico Buarque.
        Resolvi homenagear o Chico porque, convenhamos, não há letra mais ou menos criada por esse moço que tem um incrível par de olhos cor de ardósia. Todas as músicas de Chico tocam ou de alguma maneira alcançam até os mais peludos dos corações. E, depois de semanas atrás, quando ouvi “Tanto Mar” por mais de 20 vezes para a criação do texto sobre a língua portuguesa, pensei: ah, Chico, você também merece um post!
        E, depois de analisar como falar de Chico Buarque – sim, porque seria um post sem fim se eu escolhesse falar sobre todas as obras do Chico – optei para falar das músicas que tratam do amor ou da dor de cotovelo. Como conheço uma especialista em Chico, minha irmã, convidei-a para participar desse post.
        Acredito que vocês vão gostar. A seleção está ótima. Pelo menos, para nós!



        Digo que amor é aquela coisa que nasce da displicência. Seja honesto, ninguém ama ninguém na primeira olhada. Particularmente, já me senti atraída por alguém na primeira olhada. Mas, dizer que amei seria uma mentira. Mas, depois que se começa a reparar no outro, como as coisas mudam. Quando menos se espera está lá você pensando na pessoa que até ontem não fazia muita diferença na sua vida. O amor é um trem louco que não se sabe bem o que vai dar (aliás, a gente nunca sabe o que vai dar), mas que, por algum motivo qualquer, aquilo lhe dá um frio na barriga começa, aos poucos, a se tornar tão importante quanto aquele projeto novo no trabalho. E, com o tempo, se pensa: que se dane o projeto, tenho outras coisas a pensar. E aí, você se acostuma com aquela pessoa que chamou de “amor” e não consegue mais ficar sem. Ou chega um dia em que se diz: olha, posso ficar sem. É quando o amor morre. E todas as certezas somem na primeira briga ou na centésima e aí, o amor muda de tamanho. Mas, se durar é porque o amor é capaz de ser mais firme do que os problemas causados por ele.
        Enfim, amor é essa profusão de sentimentos, muitas vezes confusos, sobre aquilo que não se sabe exatamente o que se sente pelo outro, mesmo que se esteja repleto de certezas. Esse é o amor, para mim, claro. Para Chico Buarque, o amor é algo bem mais denso, complexo e tem muitas mais fases do que essas que expus aí em cima. Meu olhar vai parecer bem simplista perto do de Chico. Não tem problema. Já fiz isso de propósito, porque deixo para Chico mostrar os lados de seu coração.
        E, se fosse possível fazer uma ordem cronológica do amor, diria que ele, geralmente, começa com algo mais inocente. Como o amor de João e Maria.




                Também poderia começar de uma maneira despretensiosa, do tipo, ah, fica aí, vai:






        Mas, Chico parece não gostar de dividir seu amor com ninguém. Esse negócio de amor sem compromisso não é para ele não. Como diz Chico: é bom acabar com isso!





                E aí, quando se viu, pronto. Já se está apaixonado. E aí, começa o “amor cego”, que é quando se está tão inserido no contexto do outro que a realidade alheia e os problemas se tornam seus. E os defeitos do outro são compreendidos. E tudo se faz com açúcar e com afeto.






                E aí, em algum momento, amor e dependência podem caminhar pelo mesmo caminho. Chico dizia que o amor pode ficar no corpo como tatuagem ou como ferida mesmo. Mas, no fundo tem quem “gostas”.




       

        Chico também gosta de um amor provocante. Aquele que a cama dá um jeito em qualquer coisa e ainda passa por cima de qualquer situação. O que vale não são as palavras que o(a) amado(a) possa dizer, mas algo que lhe rouba os sentidos.





                 E, claro, uma hora Chico iria parar de duvidar do amor verdadeiro. E, encontraria aquele que não faz sentido e não exige explicação. E, por isso mesmo, é amor! Ou o que será?





        Mas, como tudo na vida, o amor também vira rotina.





               
        Mas, existe algo no amor que faz com que ele supere qualquer coisa. E, que nenhum cotidiano é capaz de abalar ou o tempo desfazer. O amor pode ser uma valsinha.






        É... mas, infelizmente, o amor nem sempre resiste a tudo. E qualquer desatenção pode ser a gota d´água.





                E, quando se chega a acreditar que já não há mais nada para ser resgatado, uma tristeza imensa invade o coração. O amor se foi. O problema não é que qualquer coisa possa virar uma gota d´água, mas a certeza de que se já vai tarde:





                 E aí, existem alguns caminhos. Ficar remoendo um rancor da pessoa que se foi, tentando achar sentido na própria realidade:






        Ou então jogar a última pá de cal e enterrar aquele amor que você já não sabia se era mesmo amor. E, mesmo os que se permitem ao amor novamente têm o prazer de dizer: “quero ver como suporta me ver tão feliz”.







        E chega uma hora que nada mais disso faz sentido.  Um novo amor entra no seu coração e o passado azedo não deixa mais o sabor do rancor. Rancor pra quê, se é possível amar?







                Ah, o amor. O que seríamos sem ele, não é mesmo, Chico?





Para quem curte Chico, um site imperdível:  http://www.chicobuarque.com.br/




p.s: gostaria de agradecer a colaboração da minha amável irmã mais nova, Dellyana. Além de ser a caçula e a gente esmagá-la como felícia, é também linda e inteligente!! Ah, esqueci de dizer que é doutora em genética (coisa para poucos) e é a médica da família, mesmo sendo apenas bióloga. É mãe de Clara, uma miniatura da nossa caçulinha. Não preciso dizer que é tão amada quanto a mãe dela. Obrigada, pequena por conhecer tão bem Chico. Amamos você muito, do tipo, com açúcar e com afeto!

p.s1: pessoal, sei que inúmeras músicas bacanas do Chico ficaram de fora. Então, mande o link da sua música preferida e que fale de amor e coloque abaixo, nos comentários. 

p.s2: oh, gente, tem várias músicas em que há o comentário do Chico, como se fossem partes de um documentário.  Preservei esse comentários porque acho para lá de interessantes!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Da preguiça como método de trabalho

        Uma das obras mais incríveis de Mário Quintana tem o seguinte título: “Da preguiça como método de trabalho.” E, pelo menos na edição que eu tenho, a capa traz a ilustração de um velhinho sentado em uma cadeira ao lado de um cachorro, ambos em uma varanda.
        À primeira vista, o título, e a própria imagem, podem traduzir um sentido de que o poeta e escritor estava naquele estado de “cansaço” da vida por causa dos muitos anos já vividos.
        Mas, ao folhear a obra, o que se encontra são frases, poemas, parágrafos de pura constatação sobre fatos da vida. Páginas e páginas repletas de um humor incrível, evidenciando a lucidez de um “senhor experiente” ao lidar com as “situações” cotidianas. Quintana não tinha preguiça, tinha é sabedoria. E sabia que o uso de poucas palavras poderiam conferir um sentido lógico às coisas, o que, em geral, as pessoas demoram um pouco para constatar. Como, por exemplo: “diálogo: dois monólogos intercalados”. Quintana também conseguia fazer aflorar a beleza presente nas coisas mais simples do dia-a-dia. Por exemplo: “vento, pastor das nuvens.” Não é lindo?
        Toda vez que abro o livro, penso: Quintana tinha um senso de observação muito apurado e usava isso a seu favor. Observar lhe permitia entender as situações dentro de uma ótica peculiar e, que depois de feita uma constatação, era traduzida em um conjunto de palavras deliciosas.
        Não preciso dizer que Quintana toca minha alma toda vez que o leio. Mas, não o cito apenas porque é o meu poeta favorito, mas porque acredito cegamente que a preguiça deveria ser mesmo um método de trabalho. Ele tinha razão!
        E preguiça não deve ser entendida como procrastinação. Nunca fui íntima de Quintana (quem me dera), mas, numa livre interpretação diria que preguiça, para o poeta, seria sinônimo de observação. Se observamos as situações antes de tomar uma decisão ou de interagir –como fazemos num instante de ponderação -  somos capazes de chegar a conclusões, constatações, indagações e até indignações, com muito mais veemência e sem gastar mais energia para isso. Não é preguiçoso quem observa, mas para observar é preciso ter certa preguiça em relação à vida mundana.
        Para observar é preciso sair um pouco do ritmo imediatista imposto nos dias de hoje. É preciso pensar a vida e os diálogos (ou monólogos) com um certo distanciamento. Como quem assa um bolo e espera para ver como fica.
        Por isso que digo, também, que a observação parece aquela peça old fashioned do guarda-roupa. Quando se fala para as pessoas assim: reflita antes de falar, pense um pouco antes de dar respostas, não discuta e tente o diálogo, tudo isso parece coisa de tia velha. Mas, as pessoas têm pressa e observar não parece ser mesmo uma atitude para os dias de hoje. Uma pena! Esses tempos, enquanto eu ministrava um curso, lembro-me de ter dito aos participantes algo assim: não é preciso dar respostas o tempo todo para o que nos perguntam. Pode-se refletir e falar depois. Fiquei surpresa ao ver que essa era uma constatação exclusivamente minha.
        As pessoas têm se tornado imediatistas demais e elas não percebem, mas vão falando todas juntas, sem criar espaços para um diálogo. E mais, já repararam como as pessoas têm respostas prontas para tudo, como se tivessem engolido livros de autoajuda? Se o problema é o namorado, faça isso! Se o problema é dinheiro, faça aquilo! Pessoal, a quem se quer enganar? A vida é cheia de processos que ou se passa tentando digeri-los ou se atropela a vida, como um caminhão desgovernado.
        Depois de trabalhar alguns anos com comunicação assertiva, tenho observado, cada vez mais, a falta de “tranquilidade” das pessoas ao iniciarem um “diálogo”. A minha constatação é: as pessoas falam, falam e falam sem perceber aquilo que estão dizendo. Tem-se escutado cada vez menos e falado cada vez mais. O próximo passo é deixar de se ouvir, se é que isso já não aconteceu. Aliás, será que as pessoas não deixam de escutar os outros ou não prestam atenção nem naquilo que falam porque simplesmente não ouvem quem elas realmente são ou o que desejam?
        Digo-lhes, com humor e sem nenhuma intenção disso parecer uma frase tirada de um best seller de autoajuda: não se predispor a se ouvir custa caro, porque a infelicidade vai lhe levar tudo, até a sua vida, se você permitir. Não ouvir os outros tem um custo muito alto para seus relacionamentos, porque se você não ouve acaba por não interagir direito. E quem não presta atenção naquilo que fala, fatalmente pode falar uma besteira!
         Por isso, acredito que a observação, antes de falar qualquer coisa, ainda é a alma do negócio. Parar para observar faz com que você se escute, escute o outro e não fale o que não vale a pena. Observe, sem pressa. Tenha preguiça dessa correria toda! Tenha preguiça das pessoas que falam e falam e falam!
        Quintana não me fez o convite, mas hoje, gostaria de me se sentar a seu lado em sua varanda (onde quer que ela esteja) para observar, apenas. A preguiça é, sem dúvida, o melhor método de trabalho.








p.s: a Quintana com todo meu amor. E aí vai mais uma dele:



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Aos amigos portugueses!

        Você conhece o Mário? Que Mário? Rsssss. Quem não conhece essa piada vai ficar sem conhecer, porque não sou eu que vou contar! Rssssss.
        Essa é uma brincadeira que fazemos com um amigo português, que trabalha num espaço coworking em Curitiba, junto com um pessoal muito bacana. Claro, a gente não poderia ficar sem fazer piada com o português! Entre as brincadeiras está que a mãe do Mário tem bigodes! Coitado! Honestamente, não sei quantas vezes Mário ouviu a piada do “Mário do armário”, mas foi essa ligação carinhosa - que todos nós do escritório temos - com um estrangeiro, é que levou a criar esse post.
        Nesse escritório, não tem ninguém que não trate o Mário com carinho. Sabe por quê? Além de ser um cara muito legal, os portugueses, como se sabe, são pessoas recebidas, geralmente, com amor no Brasil. E uma das coisas mais deliciosas para um brasileiro é ouvir um português falar! É um jeitinho muito peculiar. Existem palavras diferentes, um sotaque acentuado, uma sonoridade charmosa.
        E, então, um dia, virei para o Mário e disse: precisamos criar um post só para falar sobre como a língua portuguesa estreita as relações entre os dois países. Sei que parece óbvia essa frase, mas não é! O português é uma língua única, com uma versatilidade quase infinita. Brasileiros e portugueses têm um amor incondicional pela fala e a escrita desse idioma.
        Foi que, de umas semanas para cá, a quatro mãos, Brasil e Portugal, representados por pessoas ilustres (desculpa aí, sou a representante modesta do Brasil) sentaram-se na mesma mesa para falarem das peculiaridades da língua. E o que saiu foi o que está abaixo: o resultado de muita conversa, pesquisa e admiração pela própria língua.

        Existem mais ligações entre Brasil e Portugal do que o imaginário possa permitir. Mas, sem sombra de dúvidas, a língua é a mais nítida dessas ligações porque permite, há cinco séculos, criar laços estreitos entre essas duas nações. Lembro-me de ter dito um dia ao Mário: você sabia que da língua viemos e para a língua iremos? Toda relação do Brasil e Portugal, do passado ao futuro, passa pela língua. Mário, concordou. E, então, me lembrei de uma frase que está cravada na entrada da capela dos ossos, em Évora, Portugal: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". Eu sei que a frase parece fúnebre, mas há profundidade e verdade nela. A capela, construída no século XVII, foi elaborada com uma mistura de ossos trazidos de cemitérios e também de conventos de todos os cantos de Portugal.  O intuito de se construir uma capela “sustentada” por caveiras é o de lembrar que a vida é apenas um momento, uma passagem, e que, cedo ou tarde, qualquer um se transformará em ossos e depois em pó. É evidente que, ao entrar num local como esse ninguém se livra de uma reflexão em torno do que se faz com essa “passagem” pela vida.
        Essa “mensagem” pode ser a mais evidente na frase da Capela. Mas, também gosto de fazer outra analogia. Acredito que também permite a interpretação das mudanças da vida e sobre o fluxo e refluxo dos movimentos que, nós humanos, fazemos. E como essas mudanças também interferem no desenvolvimento da língua.
        Assim como ocorre na vida, a língua portuguesa, ao longo dos séculos, passou por inúmeras transformações, principalmente ao se “juntar” inúmeras vezes a outros idiomas. Fez surgir, portanto, novas maneiras de “soar” o português. Estudiosos afirmam que a língua se originou do latim vulgar, no Norte de Portugal, tendo sido “entendida” como uma “língua” por volta do ano 1100 d.C. E quantas mudanças ocorreram a partir de então!  
        Uma língua por si só já sofre transformações necessárias impostas pelas adaptações do tempo. No Brasil, o português está e sempre esteve passando por essas modificações. É isso que é chamado de transitoriedade da língua. E que delícia são essas mudanças, principalmente quando se vê semelhanças e diferenças no falar de brasileiros e portugueses.
        Brinco que línguas funcionam mais ou menos como bolas de sabão que, quando assopradas meio forte podem se unir. E se isso acontece, uma bolha maior se forma dando uma nova forma às pequenas bolas.
        Aqui no Brasil, todos sabem que a primeira comunicação escrita feita em solo brasileiro, utilizando a língua portuguesa, foi a carta de Pero Vaz de Caminha, denominada Carta do Achamento do Brasil. Achamento? Isso mesmo! Hoje, essa palavra não tem o menor cabimento, mas, em 1.500, deveria ser bastante usual.
        Particularmente, acredito que o presente mais importante e bonito que Portugal teria dado ao Brasil é a própria língua. Está-se tão acostumado a falar que não se percebe a sonoridade do português, uma língua complexa e ao mesmo tempo suave! Os nativos portugueses ainda têm o gosto a mais da pronúncia graciosa, que permite tornar qualquer frase charmosa. Além de expressões tão peculiares, que às vezes soam de maneira intrigante na primeira vez em que são ouvidas. Quer um exemplo? Portugueses não falam “alô” ao telefone. Só falam: “Tou, sim”.
        Esse jeitinho de falar também foi adotado por nós, brasileiros, principalmente no campo da sonoridade. Os moradores do estado de Santa Catarina, por exemplo, receberam uma influência açoriana ao falar. É o sotaque como herança.
        Mas, não foi apenas o português falado que os cidadãos daqui receberam influência. Muito antes de se ter noção do que era a literatura portuguesa, os brasileiros foram apresentados a poemas e outras formas de escrita trazidas ainda pelos jesuítas, entre eles, Padre Manuel da Nóbrega, Padre Anchieta e Padre António Viera.
        Com o passar dos séculos (eu sei que vou dar um salto na história), não foram só os escritos religiosos que conquistaram os brasileiros. A literatura portuguesa se fez presente em quase todas as fases da evolução da literatura brasileira. Escritores como Camões, Bocage, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Florbela Espanca, Fernando Pessoa (e seus heterônimos mais conhecidos), José Saramago, foram lidos, comentados, inspirados também por escritores, artistas e cidadãos das terrinhas daqui.
        E, claro, essa troca foi justa. Inúmeros escritores brasileiros ficaram conhecidos em Portugal e hoje são, igualmente, admirados. E apesar das diferenças entre os dois países, ambos fizeram várias trocas culturais durante séculos. E construíram, juntos, um vínculo que se iniciou por meio da língua.
        A música, por exemplo, é uma via de mão dupla entre os dois países. Assim como o Fado é bastante admirado pelos brasileiros -  ainda que não se perceba essa influência direta na música popular -  os cantores brasileiros também fazem sucesso na terra de Camões. Caetano, Chico, Daniela Mercury, Ivete Sangalo e mais cantores da MPB são profundamente respeitados pelos portugueses.

        E é justamente com Chico que termino falando sobre a língua portuguesa. Esse vídeo é um comentário do artista sobre a música Tanto Mar, que fez para o 25 de Abril de 1974 (Revolução dos Cravos em Portugal). Demonstra, portanto, esse carinho entre os moradores dos dois países. E mostra que a língua é o meio máximo de expressão de um povo. Ou de dois! 








p.s: gostaria de agradecer a participação do amigo português, Mario João Silva, que teve a gentileza de trocar ideias a respeito da língua, dos costumes portugueses.
O Mário João veio da Trofa, Norte de Portugal, mora no Brasil há 10 anos e é gerente de negócios da multinacional portuguesa ManWinWin Software.



p.s1: Não há nenhuma intenção de fazer um cronograma sobre a história de Brasil e Portugal. Mas, de dizer como a língua portuguesa permitiu transformar os dois países ao longo dos séculos.
p.s2: esse post é dedicado, com carinho, a todos os portugueses que têm acessado esse blog e que, apesar de Tanto Mar entre nós, sempre se fazem presentes, trazendo informações relevantes. Sejam sempre bem-vindos!