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Treinamento para falar bem na mídia, palestras, reuniões e vídeo aulas.

Comunicação como ferramenta

Conheça os benefícios de uma comunicação mais eficiente.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

#prontofalei


            Um dos meus divertimentos ao falar com as pessoas é reparar como elas criam as frases e estruturam seus pensamentos. Acredito que poucas pessoas se divertem com isso, em todo o mundo. Tudo bem, não estou pedindo quórum.
            Não sei se você repara, mas quando as pessoas falam denunciam muito de si: suas entonações, trejeitos, vírgulas, apostos, interjeições. É delicioso perceber que cada um se expressa de uma maneira ímpar.  Uma das minhas expressões preferidas é: “sei”! É quando eu sei que nada sei para parar para pensar sobre coisas que talvez devesse saber, mas não sei. É o que eu chamo de DNA comunicativo, cada um tem o seu.
         Nós não reparamos também que as palavras vêm carregadas de sentimentos profundos, dores, alegrias, euforias, tristezas, mas que pronunciamos, na maioria das vezes, de uma maneira quase que inconsciente. Funciona mais ou menos como o “Prontofalei”, que é quando dizemos aquilo que queremos e pronto e acabou. Até porque falar, se expressar, dar pitaco, detonar é quase um esporte.
            O “prontofalei” é uma das expressões que mais tenho visto, nos últimos tempos, em qualquer lugar que esteja, principalmente nas Redes Sociais. Ela faz parte do imaginário coletivo, foi inserida no cenário virtual e real pós Twitter e estabelecida como jargão popular. Veio para ficar.
            O que me intriga no “prontofalei” é que se “prontafalamos” o que queremos, será que “prontofalamos” o que devemos? Esses dias, fiz questão de contar no meu Twitter quantos “prontofalei” existia, dando uma zapeada rápida no meu celular. Fiquei chocada: havia 37 pessoas com frases cabeludas e, na sequência, o hashtag prontofalei!
            O “prontofalei” é uma maneira de deixar marcado – principalmente nas Redes Sociais - que protestamos ou nos expressamos sobre qualquer coisa, mesmo que essa qualquer coisa seja qualquer coisa mesmo. Esses dias, uma amiga colocou no Twitter: menstruei #prontofalei.  Fiquei pensando: caramba, se todas as mulheres do mundo tivessem a mesma ideia, o Twitter fecharia as portas! Literalmente.
            Mas, existem outros prontofalei mais agressivos. Eu li no Facebook algo como “vou matar meu chefe #prontofalei”! Bom, antes de matá-lo, talvez ele possa usar isso como prova para sua demissão ou até abrir um boletim de ocorrência contra quem diz isso. Já pensou?
            Não existe nenhum problema em se expressar, mas já pensaram na dimensão que isso tem? Quantas pessoas vão ler o que você escreve? Como elas vão interpretar aquilo que você lê? Que consequências tem? É claro que não dá para perder a naturalidade e ficar pensando o tempo todo sobre aquilo que se fala ou escreve. Seria muito chato e você perderia aquilo que é delicioso: o seu DNA comunicativo.
            Mas, quando o assunto é “prontofalei”, é preciso pensar bastante antes de ter o impulso de escrever o que se pensa. A tentação é grande, mas talvez evite um impacto negativo sobre o que você comunica. Mesmo  porque na “vida real” não podemos falar tudo o que pensamos, né? Já imaginou você dizer tudo o que pensa para os seus colegas de trabalho ou aquele familiar que você não curte e que todo Natal estraga a sua festa? Pois é, e para isso usamos o bom senso.
            O problema é que as consequências do “prontofalei” são tão reais quanto aquilo que expomos no mundo virtual, mas nos esquecemos disso.
            Essa história me lembra aquela parábola bíblica que diz assim: vigia e orai.  Mesmo não sendo católica, ouvi isso a vida inteira porque, assim como o “prontofalei”, ela também faz parte do imaginário coletivo. Parafraseando Jesus, o apóstolo Matheus disse essas palavras para enfatizar a importância de se cuidar dos pensamentos, das ações, das palavras.
            Sei que juntei dois mil anos em uma única frase, mas isso me parece tão atual. Afinal, se você não vigiar suas palavras, talvez tenha que rezar muito (Rssss).
            Deixo para você decidir isso. #Prontofalei!


   

            

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Um papo com minha vó!


            Já virou rotina. Não importa o horário que eu chego em casa, ligo para minha vó domingo à noite. Mas, é tarde mesmo. Lá pelas dez, onze horas. É quando consigo parar um pouquinho para organizar melhor as ideias da semana que passou e tomar fôlego para o que virá.
            E esse é um compromisso que gosto muito. Minha vó não é uma vó qualquer. Ela é avant-garde, mesmo que ela não saiba o que significa isso. Eu cresci ouvindo ela dizer que “filha minha não vai para a cozinha, vai para a universidade”. Minha vó não queimou soutien, mas peitou o pai dela para que minha mãe e minha tia pudessem estudar à noite na faculdade. Uma afronta aos regimes rígidos que ela viveu. Pois, dito e feito!  Ela não só criou filhas estudiosas como garantiu uma linhagem de netos que tem uma queda pelos estudos.
             Uma das coisas que gosto da minha avó é que no auge de seus 83 anos ela mais se parece com uma adolescente. Sempre viva, esperta, dinâmica. Adora uma bagunça, principalmente com os netos. E é muito difícil de enganá-la.  Por isso, não pense você que do outro lado do telefone existe uma senhora enrolada na coberta, com seus óculos, me chamando de netinha.
            Dona Cida é uma italiana nata. Adora bater perna, fazer compras, dirigir. É falante, intensa, canceriana, gesticula muito e fala o que pensa. De vez em quando, arranja uma briga aqui ou ali. Está no sangue (rssss)! Mas, o que acho de mais diferente em sua figura é que ela adora puxar um papinho com qualquer pessoa na rua. Sem nenhum pudor.
            E nas nossas conversas é sempre muito legal observar sua bagagem de vida. Dona Cida se lembra de coisas da época da Segunda Guerra Mundial, como, por exemplo, quando ela e os irmãos guardavam tubos metálicos de pasta de dente para fazer bola de canhão. Ou ainda quando ela conta que na época de mocinha não existiam lojas, como hoje. Os fabricantes iam até a casa do cliente oferecer roupas e sapatos. Já pensaram isso nos dias de hoje?
            E apesar de ter muitos causos para contar, a vó é uma ouvinte nata, o que admiro muito na geração dela. Que capacidade de ouvir que eles tem sem interromper o interlocutor um único instante, não? Ela vai dar a opinião dela, claro, mas vai te dar atenção até que você conclua. E quando ela for dar a opinião dela, não vai dizer "na minha época não era assim". Não me lembro dela fazer comparações com o antigo e o novo. Ela conta sobre o antigo, mas vive o novo.
            E, mais! É muito legal ver a maneira como ela torna qualquer discurso simples e objetivo. Você já pode imaginar que Dona Cida não faz rodeios. Ela fica muito à vontade para fazer questionamentos que qualquer ser humano deveria se fazer. Por exemplo: “se algo não está bom, por que você continua”? E não tem o menor medo de mostrar seus sentimentos: “o que fizeram com você foi uma covardia”, reclama. Minha tia diz que minha “vó fala coisas que deixa a gente pensativo. E não é que quase sempre ela tem razão?” -  conclui a tia.
              Mais do que voltar no tempo, trocar ideias ou simplesmente pedir colo, os telefonemas com a minha vó são, para mim, a observação de discursos de uma geração que teve que lutar muito e que, por isso,  representa a coragem de viver,  sem medo de querer agradar a todo mundo. E eu adoro ver que mesmo vivendo em épocas diferentes, falamos a mesma língua. 
             Sabe, vó, vou torcer para que nossos telefonemas continuem assim. Até eu completar 83 anos! Combinado?


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Consulpar!

Oi, pessoal. 
O Consulpar está cheinho de atrações esse ano!
Vamos falar de temas muito bacanas para a sua consultoria.
Inclusive, como "falar" com o seu público alvo, uma mesa temática que vou coordenar. Não perca. É dia 26 de outubro. Os dados, abaixo!


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Proteste!

       Se formos olhar no dicionário o conceito de protestar, algumas das explicações que vamos encontrar são: reclamar, levantar-se contra alguma coisa!
          Eu acredito que protestar é uma das maneiras de fazer valer o nosso direito de se expressar. É quando utilizamos a língua para demonstrar os nossos sentimentos, independentemente da língua que falamos! O protesto, mesmo solitário, traduz um pensamento coletivo de algo que nos incomoda e que alguém teve coragem de ir lá e dizer.
            Por isso, penso que essa é um das ações mais humanas que temos. O protesto não é um ato bobo de se opor a tudo e a todos. O nome disso é chatice! Quando unimos nossas forças em prol de um bem maior, de um direito a ser adquirido, de uma barreira a ser quebrada, criamos uma voz coletiva que nos move para aquilo que precisamos mudar! Então, protestamos.
            Vários protestos ficaram famosos no mundo por conta da ideologia por trás desses atos. Quem não se lembra do jovem que conseguiu parar vários tanques de guerra na Praça da Paz Celestial, em Pequim, na China? Desarmado e sozinho, ele peitou a repressão chinesa colocando em risco a sua própria vida. E deu voz a um pensamento coletivo de basta ao Partido Comunista, demasiadamente violento e opressivo, na época.  





            Uma cena que impressiona até hoje! Com um ato simples, esse jovem foi o pontapé inicial da mudança de rumo de uma China que se viu obrigada a repensar o seu próprio sistema.
            Mais de vinte anos depois, o mundo continua assistindo a uma onda de protestos por quase tudo! Pela economia, inclusive:



           Apesar das inúmeras cenas de horror que vemos todos os dias nos noticiários em manifestações, é também uma verdade que o mundo tem sido mais pacífico com as ideologias e as diferenças. Existem também alguns protestos que são bem menos violentos do que esse ou que chegam até a serem engraçados. Até porque, qualquer governo hoje sabe que pega mal você dominar estudantes, professores, funcionários públicos, profissionais liberais, à base da força.
            E quanto mais nos sentimos livres para nos expressarmos, mais protestamos! Coisas que antes não faziam o menor sentido ou desejos que não podíamos falar, hoje podem se ditos, sem medo. Quer um exemplo? Na década de 80, você protestaria pacificamente pelo direito de usar a bicicleta ou pediria uma ciclofaixa? 





          Eu acredito, realmente, que o mundo hoje está mais aberto aos novos conceitos e permite que as pessoas digam o que pensam. As redes sociais demonstram esse movimento. Mas, vamos ver isso na prática: o nosso país, por exemplo, tem as maiores Paradas Gay do mundo -  que é sempre uma festa divertida e colorida -  e  tem também os maiores movimentos religiosos que unem milhões de pessoas em atos de fé! Que coisa mais linda que é a liberdade de expressão!
            Protestar, portanto, é uma maneira de dizer: eu defendo uma causa e ela é importante para mim e eu estou dizendo isso agora. Então, mostre ao mundo aquilo que você acredita, que te faz diferença! Mas, não proteste à toa. Minha sugestão é: não seja um rebelde sem causa e nem jogue palavras ao vento.  A revolta gera revolta, então, proteste sim, mas com sabedoria.
            O meu protesto é contra a falta de consciência. Assim como muitos, também estou em busca, constante, da minha. Mas, fico chocada ao ver que pessoas ainda utilizam o seu discurso para ferir, desmerecer, humilhar, se sobressair. Estamos em pleno século XXI, se não tivermos consciência de quem somos, o que queremos, o que buscamos e, principalmente das nossas falhas, não podemos protestar. Afinal, estaremos lutando pelo o que, se nem nos conhecemos? Você não vai mudar o mundo se não se mudar primeiro!
            Com muita maturidade e um mar de consciência, Ongs e instituições de todo mundo estão dizendo: chega! Não precisamos mais aceitar o que nos parece errado! Então, assim como eles, proteste! 





p.s: Ao longo da história da humanidade, o homem utilizou as artes para traduzir conceitos e idéias, inclusive aquelas que geravam incômodo. Assim como o teatro, o cinema tem sido, até hoje, um porta-voz dos sentimentos humanos.  Existe uma infinidade de filmes que falam sobre o preconceito contra negros, índios, sistemas políticos abomináveis, tiranias e sobre o desejo de mudança. Eu poderia citar vários filmes, mas tem um, em especial que marcou uma geração inteira. Hair é um protesto do começo ao fim. Mas a última cena traduz o desabafo das pessoas que não aguentavam mais a Guerra do Vietnã. Bom demais!




p.s1: um dos protestos que ficaram famosos, este ano, foi a da menina Isadora Faber, de apenas 13 anos. Ela criou uma página no Facebook para protestar contra as más condições estruturais do prédio onde ela estudava e também sobre o ensino. 









quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As gerações e a comunicação


           Falar, escrever, telefonar enquanto está no computador, ver a mensagem que chegou enquanto trabalha. Fazer tudo ao mesmo tempo e agora! Isso te parece familiar?
            É a maneira como nos comunicamos hoje. Existem muitas plataformas de comunicação ou displays, como as pessoas chamam. Mas, isso só foi possível depois do surgimento das novas tecnologias, como internet banda larga e os smartphones. Produtos preferidos dos Millennials, os jovens de hoje que consomem informação mais do que qualquer outra coisa.
            Será que eles são mais comunicativos do que as outras gerações? Possível. Se fizermos uma análise do tempo sobre a linguagem vamos observar que são os jovens, sempre, os precursores de mudanças e são eles que também representam as novas linguagens. Sabem por que?
            Os jovens, independentemente da época, querem mudar o mundo. Por isso, ditam moda e tendências, são os grandes pulverizadores de novos comportamentos e também da maneira de se comunicar. A BOX 1824, empresa pesquisadora de tendências, fez em 2010 um vídeo chamado We all Want To Be Young, em que mostra como a força dos jovens influencia em todos os setores sociais.



  
            Para falar sobre jovens e a linguagem utilizada por eles, convido Paula Abbas, pesquisadora de tendências que vai fazer um bate bola com a gente e explicar melhor como o comportamento dos jovens influencia também  na comunicação.

Paula, é claro que hoje temos mais tecnologias que nossos pais tiveram quando eram jovens. E isso influencia a vida dos Millennials. Mas, cada uma das gerações demarcadas (baby boomers, X e Y) tiveram um comportamento comunicativo próprio. É possível distingui-los?

Apesar de algumas críticas atuais à definição e generalizações sobre comportamento e linguagem das gerações, acredito que sim, é possível distinguir comportamentos peculiares a cada geração e seu impacto na comunicação. Para sempre seremos reféns de nossos primeiros anos de vida. Os acontecimentos de nosso entorno durante a infância definem, em grande parte, nosso comportamento na vida adulta. E é considerando o espirito do tempo que regeu a infância e adolescência destes grupos que podemos fazer uma leitura de sua evolução comportamental.
Segundo Jean Piaget, um dos mais renomados teóricos do desenvolvimento cognitivo, é entre 2 e 7 anos que surge a função simbólica tornando possível atribuir significados à realidade. Entre 7 e 12 anos a criança se torna capaz de realizar operações mentalmente e à partir dos 12 já pode criticar os sistemas sociais, propor novos códigos de conduta, discutir valores morais e chegar às próprias conclusões. Seu desenvolvimento posterior consistirá em ampliar conhecimentos mas não serão adquiridos novos modos de funcionamento mental.Por isso, em primeira análise, gosto de distinguir os valores dos representantes das gerações.

Os baby boomers (nascidos entre 1940 e 1960) eram, e ainda são,muito centrados no respeito. Isso tem reflexos diretos na comunicação. Essa geração aprendeu uma língua portuguesa diferente, muito mais formal, e sua educação primária foi feita através de livros densos, com forte influência religiosa, o que os tornou excessivamente exigentes com o jeito 'certo' de fazer as coisas. Sua inventividade era muito mais restrita ao físico, aquilo que podiam, ver, ouvir e tocar. Os valores principais residiam no trabalho pesado, na lealdade e na defesa da propriedade privada.
Já os nativos X (nascidos entre 1960 e 1980) viram a TV chegar às suas casas. Isso muda tudo. Foram criados em um ambiente de libertação sexual, de instabilidade econômica e de fortalecimento da era hiperconsumista. Ouviram de seus pais que precisavam assumir lideranças e lutaram com unhas e dentes pela liberdade de expressão. É a turma do "eu primeiro". Idealistas, visionários e hedonistas. Aqui começa uma forma de expressão mais madura, mais transparente, e uma fase na qual é possível, permitido e devido falar sobre o que se pensa. Essa é a geração que teve que redefinir os seus percursos profissionais e se adaptar a uma nova mobilidade que altera todo o modelo de negócios para o qual se prepararam. Eles viveram a transição do analógico para o digital, foram os precursores de uma mudança inimaginável até então. Eles deram o pontapé no futuro da comunicação. Aqui vemos uma aceleração na forma de se comunicar.
Enquanto o X é o imigrante digital, o Y é o nativo digital. Também conhecidos como Millennials (nascidos entre 1980 e 2000), os integrantes da geração Y já vieram inseridos em um cenário no qual a liberdade de expressão já foi conquistada e a exercitam de forma plena através das plataformas de redes sociais. Falam o que querem e como querem, e como são antiautoritaristas não estão preocupados com o julgamento dos pais ou chefes. São filhos de pais que, culpados por estarem demasiadamente ocupados com suas vidas laborais, os compensaram com bens materiais criando uma forte associação entre consumo e felicidade. Essa é a geração do pensamento inovador, da abstração e do conhecimento intuitivo. Aqui, mais do que aceleração percebemos mais um elemento típico dos Millennials: raciocinam e se comunicam utilizando informações completamente desestruturadas. Precisam ligar os pontos entre tudo o que está acontecendo no mundo.
O que muda o comportamento comunicativo são os novos modelos de pensamento. O pensamento contemporâneo prega a individualidade, a sustentabilidade, a reputação, a colaboração. Me pergunto até que ponto a nova economia revolucionou os valores essenciais dos seres humanos. Será que buscamos algo diferente de nossos avós? Será que o mote hippie – liberdade, paz e amor – não é a mesma coisa que individualidade, sustentabilidade e colaboração? Acho que as diferenças entre baby boomers,  geração Y e Millennials são um espectro da lenta evolução dos valores fundamentais. Hoje, os baby boomers vivem uma concepção totalmente renovada de terceira idade. Os clichês dos avós idosos de antigamente já não conversam com novos representantes de uma geração cheia de disposição, dinheiro para gastar e muita sabedoria. Os seniors de hoje estão se aproximando cada vez mais do comportamentos e valores dos filhos e netos.

A Publicidade teve papel fundamental na geração X. Na década de 80 uma marca ditava o que o consumidor iria usar. Hoje, a publicidade é menos impositiva. Por que?
Acredito que o justamente pelo fato dos Millennials estarem no controle da ferramenta mais importante para desmascarar produtos, marcas e ícones pessoais - a internet. Estamos entrando de cabeça na era da transparência e da reputação.
Segundo Charles Leadbeater, escritor e conselheiro do governo britânico, "no século 20 do hiperconsumismo éramos definidos por crédito, propaganda e pelas coisas que possuíamos. No século 21 do consumo colaborativo, seremos definidos pela reputação, pela comunidade e por aquilo que podemos acessar, pelo modo como compartilhamos e pelo que doamos.”
A publicidade continua exercendo um papel fundamental mas o apelo está mudando. Está se tornando mais sensorial, precisa estabelecer um diálogo entre o consumidor a marca. A máxima da "uma mentira contada mil vezes passa a ser uma verdade" está caindo por terra. Hoje, uma mentira contada ainda que só uma vez, se cair em domínio público, pode acabar com a reputação de uma empresa.

De que maneira as marcas conversam hoje com o seu público alvo?
A conversa precisa ser clara, madura e uma via de mão dupla. As marcas nunca dialogaram com o público como se veem obrigadas a fazer hoje. É a web 3.0. Não basta deixar que o público comente, critique, replique, é preciso dar resposta aos seus questionamentos.
É importante atentar para o fato de que vivemos um novo momento de difusão cultural. O planeta inteiro é público do mesmo cinema, dos mesmos discos, dos mesmos canais de TV. Uma gramática globalizada se estabelece. Palavras do filósofo Gilles Lipovetsky: " ganha espaço uma retórica simples, capaz de solicitar o menor esforço do público. Trata-se de se divertir, dar prazer, permitir uma evasão fácil e acessível a todos, sem a necessidade de formatação de nenhuma referência cultural particular e erudita", ou seja, quanto mais verdadeira e transparente for a conversa, melhor.

A Era da Informação foi concretizada com a geração Y. Qual o preço que eles pagam pelo excesso de informações? 
O escritor Umberto Eco, do alto de seus 80 anos, detectou que a internet é útil para o sábio mas perigosa para o ignorante porque ela não filtra o conhecimento e congestiona a memória. E mais, afirma que o excesso de informação provoca amnésia.
Na internet não há hierarquia, o que vem ao encontro com a característica principal dos Millennials, que são totalmente antiautoritaristas. Na internet cada um conta a sua verdade, produz conteúdo sobre a sua vida e, em razão dos filtros que refinam e personalizam a informação nos buscadores, os usuários recebem informações restritas aos algoritmos definidos pelo estreito universo no qual navegam, sem questionar o que mais há além do Google. Eles tem dificuldade em sair da zona de conforto.
Por outro lado, o excesso de informação os torna altamente criativos e é preciso dar espaço para que eles exercitem a experimentação expressiva. É por isso que vemos um boom na procura de profissões mais inovadoras.Essa é também uma das razões pelas quais atualmente se fala tanto em design e economia criativa.
O livro ainda é o meio ideal para aprender. É tanta vida real na net que os Millennials são loucos por livros de ficção. Vejam  que interessante, a venda de obras sobre ciências humanas está em declínio enquanto o tema espiritualidade é a grande aposta das editoras. Tudo o que trata de debates "sobre si mesmo" também está em alta. Livros sobre conselhos psicológicos, desenvolvimento pessoal e pasmem, filosofia (aquela centrada no self), são um sucesso. Em tempos de extrema angústia, vida longa aos gurus do viver melhor.

Explique um pouco para a gente o que é a linguagem hiperbólica.
As mudanças na comunicação apontando para a experimentação expressiva começaram a acontecer à partir dos anos 90. Novos modelos performativos, a aceleração da vida, as plataformas de compartilhamento, a velocidade reacional trazida pelos smartphones. Tudo isso conduziu os jovens a uma comunicação exagerada, que objetiva prender a atenção e impressionar o interlocutor. Se trata de uma expressão até pessimista, muito ligada aos próprios conceitos do pós-modernismo: movimento crítico que fracassa em proporcionar uma visão positiva em relação àquilo que ataca.
Encontramos muitos exemplos de linguagem hiperbólica em vídeos no youtube nos quais os jovens criticam celebridades que não gostam, ou defendem seus ídolos favoritos de forma exagerada. Como meio de enfatizar as informações eles fazem uso uma linguagem chocante, politicamente incorreta, quase histérica. Tudo resultado do congestionamento de informações. E veja, a hipérbole é uma forma de linguagem muito usada na poesia. A linguagem hiperbólica dos jovens de hoje em dia é, de certa forma, poética. O que temos que entender é a poesia de nosso tempo. A linguagem hiperbólica está para a comunicação como o realismo histérico está para a arte contemporânea.

E qual é o comportamento da geração Z (não mostrada no vídeo) em relação à informação?
A geração Z (nascida após os anos 2000) está muito inserida em um universo lúdico. Amantes das fastfashion e dos games, são imediatistas e precisam ser constantemente desafiados. Eles pensam rápido e encontram saídas, superam seus desafios com destreza e em seguida querem mais, querem algo novo. Para essa geração vemos se afastar ainda mais da realidade o modelo educação/trabalho/tempo livre. São a geração dos teenpreneues– adolescentes à frente de empreendimentos de sucesso sem terem nem sequer terminado o segundo grau. Se divertem enquanto trabalham. São capazes de gerir negócios internacionais sem sair do quarto.
Filhotes da era da informação e experiência, são capazes de formatar a própria realidade e levarão adiante um novo estágio da comunicação, muito menos centrado em linguagem oral e muito mais sensorial. Esta é a geração que se comunicará através de leitura de sinais cerebrais e corporais (que pré-adolescente ainda não experimentou a tecnologia Kinect?). A ciência está a um passo de ler pensamentos. Hoje já existem máquinas de ressonância magnética que decodificam os sinais do cérebro, e os cientistas já estão montado alfabetos neurais. Já existe até um dispositivo portátil chamado iBrain – criado pela empresa NeuroVigil e financiada por Stanford e multinacionais farmacêuticas -  que acomodado sobre a cabeça detecta sinais elétricos do cérebro e procura associar a letras ou comandos de forma que uma pessoa emita informações diretamente através da mente, sem depender de movimentos. Em abril desse ano, o neurocientista Brian Pasley, da Universidade de Califórnia, publicou resultados de um experimento com um software que decodifica os impulsos elétricos do córtex e os transforma em sons*. Como sabemos que a evolução tecnológica é cada vez mais rápida, não duvido que dentro de 10 anos o tema já esteja bem desenvolvido.
Lindo mesmo é imaginar a geração que virá em seguida. Já é possível arriscar: 2020 – 2040 abrigará uma geração com uma capacidade impressionante de visualizar e criar, excêntrica, amplamente aberta e tão amante da liberdade que será muito difícil que outro padrão mental possa compartilhar com ela o mesmo espaço.

* Reconstructing speech from human auditory cortex.  Brian N. Pasley e outros. PLoSBiology. Publicado on-line em 31 de janeiro de 2012


Gostaria de agradecer imensamente a participação da jovem Paula Abbas nesse bate papo. Vocês viram quanta informação bacana ela trouxe? Agora só resta as gerações tentarem "se comunicar" melhor. Abaixo, um pouquinho do trabalho da Paula: 



Paula Foletto Abbas                                       
Pesquisadora de tendências, analista cultural e consultora para estratégias de criatividade e inovação. Pós-graduada em Marketing pela FAE Business School e Mestre em Direito Corporativo pela Universidade de Barcelona - Espanha. Tem cursos de extensão em psicanálise e antropologia e curso técnico em Design de Interiores. Coordenadora e professora do curso Coolhunting e Análise de Tendências da Lemon School e Centro Europeu. Atuou como consultora como foco em inovação e tendências para empresas como Nike, Natura, O Boticário, Jasmine. Sócia da Anima Trends, que, em italiano significa alma, busca a essência das motivações humanas para entender, em profundidade, o comportamento do consumidor pós-moderno e ajudar empresas, pessoas e cidades a inovar de forma inteligente.

p.s: para quem curte o trabalho da Box 1824: http://www.box1824.com.br/

Informações sobre as gerações no post Revolucione-se!




Que tal investir na sua comunicação? A DNA Comunicativo (empresa de Alloyse Boberg) oferece cursos em formato podcast (áudio) a preços acessíveis. Ou seja, você pode fazer um curso correndo no parque ou até mesmo preso no trânsito. Basta ir até a LOJA DA DNA COMUNICATIVO. 





terça-feira, 9 de outubro de 2012

Filme feito com Instagram

Oi, pessoal. 
Eu digo, sempre, que quanto mais plataformas de comunicação existe, mas criatividade as pessoas tem.
O filme, abaixo, é um exemplo. Ele foi feito com Instagram. Fala sério!




quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Qual é a história da sua vida?

             Quem é você? Eu gostaria de saber.
            Veja só! Você parou alguns instantes do seu dia para ler o que está escrito aqui. Mas, não tem ideia de como eu adoraria conhecer o que você também escreve. Não falo sobre qualquer escrita. Falo do livro da sua vida!
            Eu acredito  que todo mundo tem uma história de vida que poderia render um livro.  
           Os livros estão repletos de histórias que estavam na cabeça de pessoas que se inspiraram em alguém ou um fato para escrever o que escreveu. São histórias engraçadas, outras tristes e outras bobas. Que diferença faz? É como a nossa história de vida, às vezes mais legal, às vezes não.
         Talvez você não tenha percebido ainda a relevância da sua historia de vida, mas, acredite, ela é importante. Todos nós mudamos o mundo a todo o instante, influenciando pessoas, ditando comportamentos e, mesmo sem perceber, acabamos sendo exemplo (bom ou ruim) para muita gente. Você pode não ser um grande político, nem uma pessoa famosa, mas você é importante para o seu filho, seus colegas de trabalho, para seus amigos.
             Mas, se você não acha isso suficiente para contar a história da sua vida, vou te dar um argumento ainda melhor: você é importante para você. E se você sentir isso, vai perceber o quanto as pessoas também te acham importante.
            Esses dias Maria Paula, uma colega de sala, falou assim: nossa, peguei uma conversa no corredor que fiquei com vontade de terminar de ouvir! Isso o que ela disse é o mesmo que “você é importante, então conte sua história para mim.” E não tem nada a ver com fofoca. Aliás, penso que se cada um olhasse para a sua história de vida com mais carinho e analisasse os capítulos da sua vida não se ocupariam muito com a vida dos outros.
             Eu posso te garantir que não existe história mais bonita do que a nossa própria e aprendi a tratar a minha com muita ternura.
            Desde criança (acho que desde que aprendi a falar) me interesso pela história dos outros. E, não é só um gostar de ouvir. É um gostar de compartilhar porque acredito que a história do outro possa fazer diferença para mim, que vai mudar algo ou que, pelo menos, vai me fazer pensar. E isso, a solidão não me proporcionaria.
            Às vezes penso que a minha vida também renderia um livro, aliás, uma coleção inteira. Esses dias, comentei com uma amiga que tenho 34 anos, mas já vivi tantas coisas que, de vez em quando, parece que 101. É como se eu fosse o Forrest Gump do filme, um colecionador de registros históricos, de fatos, acontecimentos.
         E quando olho para a coletânea da minha vida, acho a melhor história do mundo! São páginas registradas que hoje leio com muito amor, mesmo que eu não goste de alguns capítulos.  Eu sei também que ainda tem muita coisa a ser escrita e é isso que me faz acreditar que ainda tenho que continuar compartilhando!
            Então, que tal você compartilhar comigo a história da sua vida? Não vou divulgá-la em lugar algum, não vou contá-la a ninguém. Ela vai ficar guardada comigo, para sempre, no coração! Só eu vou lê-la! Sabe por que? Porque você é importante. Lembre-se disso!


p.s: Eu realmente quero saber a história da sua vida. Se você quiser contá-la, mande-me um e-mail para  contesuahistoria@alloyse.com.br  
p.s1: o personagem de Tom Hanks, em Forrest Gump, é a de um contador de histórias que foi testemunha de vários fatos, claro, históricos! O filme é uma graça! Vale a pena assistir.





segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Você sabe ouvir?

Vale a pena ver e ouvir!!