Marcadores

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O que é belo para você?


        Você já reparou como somos instantaneamente atraídos por aquilo que consideramos belo? Mas, o que é o belo para você? Com certeza, já deve ter reparado que aquilo que você acha bonito nem sempre é considerado belo pelas pessoas que estão ao seu redor.
         Para mim, belo é algo que primeiro vemos com a alma e depois sentimos vontade de ter fisicamente e que, não necessariamente, podemos comprar. Uma jóia da Cartier é belíssima, mas existem belezas menos palpáveis. Você vê beleza em um dia chuvoso, por exemplo? No sorriso de uma criança? Esses são tipos de beleza que não podemos “tocar”, mas podemos sentir profundamente.
         É o mesmo tipo de beleza quando fazemos a viagem dos sonhos! Apesar de, geralmente, enfrentarmos um canhão de dificuldades até chegar ao destino, como longas horas de viagem e aeroportos lotados, o que fica em nossa memória é a sensação de satisfação de registros legais dessa viagem. Algo, que posteriormente, qualificamos como belo: uma peça de teatro, um café, uma lojinha engraçada.







            Mas, existem outros conceitos de belo mais concretos e que, em um primeiro momento, são unânimes. Por exemplo, quem não acharia beleza nesse lugar?




                Não sabemos porque classificamos imediatamente o belo, mas, de fato, a beleza é “percebida” como algo que paralisa nossos sentidos, nem que seja por alguns segundos, para que possamos contemplar. Uma paisagem é um momento de beleza, assim como pessoas ficaram famosas pelo belo. Marilyn sabia usar sua beleza como ninguém! Até hoje é o símbolo de exuberância.



   


       
               Até quem não tem a beleza como profissão se destaca por ela. O nadador francês Camille Lacourt chamou a atenção nas Olimpíadas pelo seu desempenho nas piscinas, claro. Mas, também pelos seus lindos olhos azuis e porte de Deus grego.



      

         Quer outro exemplo de belo que deixa qualquer um com um sorriso no rosto? Imagens de bebês!








                Eles são visualmente incríveis e exercem uma atração por onde passam!
         O belo ajuda a nos orientar visualmente sobre aquilo que determinados como bom ou ruim. É a nossa comunicação visual intuitiva e que usamos a todo o tempo, mesmo quando não percebemos. Apenas aceitamos aquilo que nos agrada e rejeitamos o que não parece muito atrativo.
         No livro História da Beleza, organizado por Umberto Eco, o belo é discutido ao longo de uma linha do tempo e observado nas mais diversas civilizações existentes. A beleza pode ser vista sobre vários aspectos interessantes, como o ideal grego; a cultura prática do século XVI; o sublime; o romântico;  e temos a beleza da atualidade – também entendida como a Beleza da Mídia. Um dos ideais de belo citados é David Beckham.
         Particularmente, acredito que o belo é muito subjetivo. Eu jamais deveria assumir publicamente porque temo pela minha segurança (rsss), mas não acho Brad Pitt bonito. Um sinal de que o belo não é unânime, apesar de uma massa considerar o ator maravilhoso. E mais, o belo pode ser exatamente o oposto do que consideramos atraente.
         Para trazer mais clareza sobre o que consideramos belo no mundo de hoje, apresento a vocês Andrea Greca Krueger, que é profissional de Coolhunting, uma pesquisadora de tendências. Ela é proprietária da Berlin, uma empresa de pesquisa de mercado e análise de tendências. Andrea, o que é o belo nos dias de hoje? Ainda existem padrões de beleza?

Nas palavras de Andrea:
           Após a crise financeira de 2008, a publicidade tem olhado para padrões menos perfeitos e, portanto, menos artificiais. Há uma busca e valorização pela beleza de verdade, por modelos com diastemas, sardas, óculos, cabelos crespos, mulheres maduras ou acima do peso. 
         Em uma extrapolação dessa tendência, há marcas que buscam em transexuais e andróginos, como Lea T. para Givenchy e AndrejPejic para Marc Jacobs, ou no super tatuado Zombie Boy provocar a sociedade e o establishment, o que é muito bacana para fazer as pessoas pensarem sobre esta questão.



      Sharon Stone, 54 anos: as mulheres maduras conquistam espaço na mídia.




Jane Fonda, 74 anos:  outro exemplo de mulher madura de destaque na mídia.


 O tatuado Zombie Boy  e o andrógino Andrej Pejic



Lea T.

              Esse discurso é perfeito para tempos de crise, em que se vê que o dinheiro é virtual e os valores sim, esses são reais e eternos dentro de cada indivíduo. Em uma pesquisa recente sobre a beleza com jovens entre 15 e 25 anos para uma marca de cosméticos, percebi que as meninas têm orgulho do que são e querem ser reconhecidas, aceitas e admiradas com seus defeitos e virtudes.
            Os seriados Glee, que os jovens adoram, e mais atualmente o Girls são importantes emissores dessa ideia também. Sem mencionar o discurso da Lady Gaga na música que atingiu o topo das paradas do iTunes em 21 países em apenas 5 horas, Born this Way:“eu sou bonita do meu jeito pois Deus não comete erros, estou no caminho certo,  nasci assim”. Genial, encorajador e totalmente alinhado ao espírito do tempo. Fora a imagem dela, que fala por si.
            É ponto pacífico que o belo é algo subjetivo. Mas falando em termos comerciais, por exemplo, as modelos Lara Stone e Elizabeth Jagger, com seus enormes diastemas, estão super em alta, assim como as sardas da brasileira Cíntia Dicker

.


                 (Pergunta minha) Então, Andrea, mais do que nunca pode-se dizer que, hoje, o belo é o que é belo para cada um de nós?
      Sim, ainda que a mídia influencie bastante ao “impor” ou sugerir incansavelmente certos padrões nos filmes, revistas ou novelas. O mais legal é que hoje não é vergonha não andar com a manada, ou seja, você não precisa e não deve se calar em uma discussão porque acha o Brad Pitt ou a Gisele Bundchen pouco atraentes. Existe uma valorização enorme da individualidade, o que é fantástico. É bacana ter opinião própria e não se deixar influenciar pela opinião da massa. Isso, para mim, é realmente belo: ter senso crítico e repertório para avaliar e personalidade para defender suas opiniões. Quando penso no belo, o que me vem à cabeça é a verdade. Não há nada mais bonito do que ela.
          

Nas minhas palavras:
         E para você que está lendo, como você se comunica com o belo?
        Umberto Eco  tem uma frase que acho maravilhosa e que diz assim: “é belo alguma coisa que, se fosse nossa, nos deixaria felizes, mas que continua a sê-lo e pertence a outro alguém."


        
p.s: agradeço imensamente a participação da bela Andrea Greca Krueger. Para quem não conhece a Andrea:


Jornalista e pesquisadora, pós-graduada em coolhunting e investigação qualitativa de tendências (Universidade Ramón Llull - Barcelona). Especialista em mídia de moda (London Collegeof Fashion), jornalismo de moda e coolhunting (Central Saint Martins CollegeofArts& Design - Londres), com cursos de extensão em pesquisa e análise de tendências na Universidad de Palermo (Buenos Aires), Future ConceptLab, ESPM e Observatório de Sinais (São Paulo). Cursa, além disso, extensão em psicanálise e antropologia social (A Clínica do Real – prof. dr. Célio Pinheiro). Ministra cursos e palestras de coolhunting e pesquisa de tendências.

www.berlin.inf.br
andrea@berlin.inf.br


p.s1: vale a pena namorar as jóias da Cartier, nem que seja pelo site http://www.cartier.com/
p.s2: quem nunca teve a oportunidade de ler o livro História da Beleza, leia. É para guardar para o resto da vida. Simplesmente, maravilhoso.


















1 comentários:

Essa postura individual, de expressar o que gosta sem fazer parte do efeito manada é fantástica, gera pessoas autênticas. Como reflexo no mundo corporativo, vejo profissionais seguros de si, com menos receio em se expressar, contribuir. Excelente post Alloyse.

Postar um comentário