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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Que voz é essa?


       Sabe quando você escuta uma música e não acredita que aquela voz possa existir, de tão bonita que é? Tipo Elvis Presley cantando Suspicious Minds. Uma voz tão suave e rouca, grave, afinadíssima, com um canhão de sedução e uma dose de rebeldia, é impossível ter igual.


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          Não quero ser injusta com Frank Sinatra, que também tinha uma das vozes mais incríveis da história da música. Mesmo com um pouco de whisky na cabeça, cantava com um vozeirão imponente e tinha uma certa histeria italiana em seu tom.

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           E aqueles cantores que a gente não sabe da onde vem a voz, de tão exclusivas?


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         Calma, mulheres. Nós não ficamos atrás. São tantos talentos espalhados pelo mundo que é difícil enumerá-las: Bebel Gilberto, Emy, Aretha, Dona Summer, Elis Regina, Norah Jones.E tem uma voz que acho excepcionalmente linda: a de Maria Callas. Eu sempre quis ter uma voz como a dela. Achava magnífico alguém ter um alcance tão grande, sem o menor esforço. Uma voz que extrapola qualquer expectativa, visceral e suave. É possível? Para Callas sim.


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         Deixei de sonhar em ser Callas quando ouvi minha voz, pela primeira vez, junto com uma fonoaudióloga. Isso, que fiz fono desde criança, então sempre tive a noção de que eu falava muito baixinho e não pronunciava bem as palavras. Confesso que num primeiro momento fiquei levemente triste. Mas, o que eu ia fazer? Aceitei o fato! E comecei a ouvir a minha própria voz e a trabalhar ela com fonoaudiologia, para que ficasse mais clara. E, anos depois, descobri que minha voz combinava exatamente com a minha personalidade: um pouco de doçura e muito de pimenta.
         A maioria de nós não tem a menor ideia de como a voz é reproduzida e que aquilo que ouvimos pode ser completamente diferente de uma voz gravada. Perguntei, então, para a fonoaudióloga Daniele Almeida, que trabalha com voz de jornalistas, para tentar entender por que isso acontece. Ela me explicou o seguinte:

Na voz da Fonoaudióloga Daniela Almeida:

         A voz que ouvimos é diferente da voz registrada nos gravadores porque ouvimos por dois canais, internamente, através da vibração óssea, e pela captação externa do ouvido e o processamento cerebral. Vem daí a sensação da voz ser mais grave do que realmente é. Já o nosso interlocutor, ou as gravações, escutam a nossa voz como ela é.  As pessoas com comunicação treinada, como atores, jornalistas, radialistas e os dubladores, conseguem aproximar esta percepção, e também, por que “se ouvem” o tempo inteiro, e isto, aprimora a fala. 
         Colocamos à culpa no outro, por não compreender uma ordem, ou uma vontade, mas o quanto sinalizamos com a voz que o assunto era importante?  Temos certo que a clareza na articulação dos sons, principalmente os R e S nos finais das palavras (conjugação verbal e plural) identifica a qualidade do vocabulário do falante.

         E por ultimo, uma voz agradável é uma voz flexível, saudável, que transmite vivacidade à comunicação. Logo, tudo que faz bem para saúde faz bem pra voz: evitar ou reduzir o tabaco; o excesso de bebida alcoólica; buscar uma alimentação equilibrada; praticar exercícios físicos; ter boas horas de sono e muita ingestão de água também contribuem para a voz.


         Viram só? Se você não pode ser o Elvis, que, pelo menos, seja o seu próprio Elvis. ;)       



p.s: gostaria de agradecer a gentileza da fonoaudióloga Daniele Almeida, uma apaixonada pela voz e pela comunicação. Ela trabalha com a voz de jornalistas e também trata de distúrbios da comunicação humana,em seu consultório,.
p.s1: é claro que gosto é gosto. E neste artigo, não está um décimo dos meus cantores e cantoras preferidas. Mas, com certeza, estão as vozes mais comumente admiradas.

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