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quarta-feira, 6 de junho de 2012

A arte de palestrar


                 

                Toda vez que alguém me convida para assistir palestra eu tenho vontade de perguntar: vai ser legal? Falo isso porque, em geral, as palestras não me prendem, com todo o respeito aos profissionais. Vai me dando um sono, vou recostando na cadeira e aquela luz baixa, com aquela voz lá no fundo tem um efeito hipnótico e sonífero sobre mim. Por isso, já sento na última fileira que é para não dar bandeira.
                Eu não entendo quem criou esse padrão de palestras em que o palestrante precisa falar e falar e mostrar 50 slides do Power Point e ainda apresentar muitas planilhas. Acredito que “falar” para o público não funciona se não tiver interação. As pessoas que vão assistir a uma palestra querem aprender, fazer contatos, mas também interagir. Se não fosse importante para elas, não estariam ali.
                É claro que aquelas palestras shows, em que o palestrante “berra” para ter a atenção do público, também não funciona. Você gostaria que berrassem no seu ouvido? Não, né? Como, então, prender o público? 
              Pedi uma ajuda para a Coach Adriana Ferrareto, que é uma das maiores palestrantes do país, para nos dar essa explicação.  Fiz um bate-bola com ela e veja quantas informações relevantes Adriana traz para a gente:


 Adriana, a perguntar que não quer calar: como manter a atenção do público?
Falando sobre um tema que satisfaça as necessidades do público. Precisa haver uma identificação do público com o tema que, em geral, deve partir da premissa que vai resolver um problema. Estamos precisando no mundo de hoje, de pessoas que resolvam problemas, não apenas que ofereçam ideias.

 É preciso se organizar para uma palestra. De que maneira?
Sem sombra de dúvidas é necessário organizar uma palestra, pois nada mais é do que contar uma boa história, com começo, meio e fim. Evidente que recheada de boas dicas, métodos eficazes para resolver aquilo que se propõe, dar exemplos reais, mostrar que é possível. O tempo é muito importante, não podemos nos tornar monótonos, saber quanto tempo ficará numa tela é perspicácia para poucos.

O Power Point funciona?
Muito bem, mas com imagens que reforcem o que se quer dizer. Pouco texto, números impactantes, sem muitas firulas tecnológicas de letras entrando pela esquerda, flechas voadoras, sons estranhos, tudo isso distrai a atenção do público para aquilo que deveria ser o mais importante: o palestrante.
Existem ótimos livros no mercado que ensinam como fazer boas apresentações, um que gosto muito é Apresentação Zen de Garr Reynolds da editora AltaBooks.

Recursos da internet também ajudam? Por exemplo, apresentar vídeos do Youtube?
Com bastante equilíbrio. A escolha de um vídeo ou música precisa fazer muito sentido para que a platéia entenda a conexão, caso contrário, o palestrante terá de gastar muito tempo explicando o porquê daquele vídeo. Mas quando bem utilizado, ilustra de forma lúdica e emocional o que se deseja passar.

Utilizar as Redes Sociais para interagir com o público é uma forma de manter o público acordado? 
Já assisti palestras em que isso é feito, mas particularmente não uso esse recurso.

Que outras dicas você daria?
Um bom palestrante precisa de boas histórias para contar. Essas histórias preferencialmente devem ter sido vividas pelo palestrante, para que ao contar as experiências ele de fato engaje a plateia, os emocione, faça-os perceber que o que ele fala não é apenas uma coletânea de informações de vários livros lidos, mais que isso, é alguém que fez a reengenharia da própria vida e tem algo a acrescentar. Precisamos de pessoas inspiradoras, que exalem coerência e autenticidade. As palestras tem como objetivo despertar as pessoas para novas possibilidades e o palestrante deve ter uma consciência expandida para propiciar isso.
Se você ainda não conhece o trabalho de Adriana Ferrareto, vá até a página dela. Além de excelente profissional, é uma pessoa que sempre tem alguma palavra bacana para te dizer. adrianaferrareto.com.br

Encontrei também  um artigo na Revista Superinteressante que traz outras dicas de como falar em público e como não perder a conexão com a platéia:

Ria de si mesmo
Se cometer alguma gafe e o público achar graça, ria com ele e prossiga. E não precisa pedir desculpas, pois isso passa uma impressão de insegurança e despreparo.

Frase-resumo
Comece com uma frase de efeito, que resuma seu tema e conquiste o 
público. Em jornalismo é o que a gente chama de lead: pôr o mais importante logo no início.

Lei dos 5 minutos
O público não mantém a concentração por mais de 6 minutos. Para garantir o foco, a cada 5 minutos, altere algo: sua posição, o volume da voz, o slide da apresentação. 


Vídeo autocorretivo[1]
Grave-se falando. Só aí você repara e se livra de muletas como "tipo..." e "né?", pausas como "ããã" ou "ééééééé" e cacoetes como coçar a cabeça e ajeitar as calças. 


Power Point com moderação
A ideia é falar, não ler em público. Para isso, deixe o mínimo de texto em cada slide. A apresentação deve auxiliar, mas jamais ofuscar o palestrante.

Conheça o público 
[2]
Saiba quem é sua platéia
 e o que ela espera de você - não pague o mico de saber menos que ela. Além disso, esteja atento à reação das pessoas e dê espaço à interação. 

BÔNUS ANTIBRANCO
Basta usar a frase: "Na verdade, o que eu queria dizer é..." Esse artifício obriga você a recontar a mensagem de outra maneira, e isso pode livrá-lo da armadilha do "branco".

Ficam aí as dicas!!


p.s: Agradeço  a participação da Coach Adriana Ferrareto, que trouxe para nós dicas valiosas..


[1] Viram a importância no Media Training para os palestrantes? Treinar e treinar e treinar e treinar para tirar os vícios de linguagem.
[2] Falei do princípio da Retórica de Aristóteles (sobre a importância de conhecer seu público alvo para usar a linguagem adequada) no post“O dia em que Príncipe Charles virou ‘mocinho’ do tempo”.

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