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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Você na mídia



Que impacto seu discurso tem na mídia?


Quem já deu entrevista em um veículo de comunicação sabe a dimensão que isso tem. Certamente algum colega ou parente vai te parar na rua para dizer: “te vi na TV!” ou “te ouvi no rádio!” Você possivelmente não sabia desse alcance e jamais imaginaria ter seus 15 minutos de fama. Mas é verdade. A televisão é o meio de comunicação que atinge a maior quantidade de pessoas, por ser o mais popular dos veículos. Para se ter uma ideia dessa dimensão, segundo uma pesquisa do IBGE divulgada em 2006, 93,5% dos lares brasileiros tinham aparelhos de TV em casa. Na última pesquisa divulgada em 2009, esse número passou para cerca de 95,7%. Ou seja, se você der uma entrevista para o Jornal da Record, por exemplo, corre o risco de ser assistido em todo o país.
A televisão é um grande palco cujo público é composto por milhões de pessoas. E nos expormos nesse veículo pode ser positivo para nossa imagem ou não. Se você fala de maneira simples e objetiva, a sua entrevista vai ficar didática e provavelmente será convidado novamente para ser o entrevistado. Quem sabe até se torne um comentarista. Mas, se for prolixo ou não transmitir uma idéia com clareza, lembre-se que os mesmos milhões de pessoas vão estar te assistindo. E aí, pode ser fatal para a sua carreira.
Ao longo dos 13 anos de trabalho em emissoras de televisão, quatro deles como Editora Chefe, minha função tem sido selecionar assuntos e pessoas. Quando vemos um médico renomado falando apenas 10 segundos durante uma reportagem, perguntamos por que o deixaram falar tão pouco assim? O fato é que nem sempre os grandes nomes da medicina estão focados em traduzir para o público o seu conteúdo. Assim, não resta alternativa aos jornalistas senão tentar sintetizar essa fala para que o assunto fique claro. O que o entrevistado diz tem que ser interessante para todos -  para isso é preciso falar de forma que seu chefe vá entender e a sua tia que mora lá no interior, também.
Por isso, sempre que um convidado vai dar entrevista na RICTV RECORD, emissora onde trabalho, faço algumas indicações antes de entrarmos no ar. Uma delas é pedir para evitar termos técnicos e tentar simplificar as ideias. Seja honesto, você sabe o que é arguição de suspeição? Se você não é advogado possivelmente ficará sem entender. Nada mais é do que o pedido de afastamento de um juiz quando ele pode estar sendo parcial em um caso. Não seria mais simples dizer dessa forma? Veja como o vocabulário técnico pode trazer um ruído imenso para a sua fala.
Outra indicação que faço é pedir ao entrevistado queseja sucinto.  Afinal, são apenas três minutos de entrevista. Três minutos? Só isso? É, só isso. Pode parecer pouco, mas em televisão três minutos representam um longo período de tempo. Quando a TV de casa sai do ar, mudamos de canal já que ninguém vai querer ficar ouvindo aquele chiado. Pois bem, isso dura apenas alguns segundos. Imagine se durasse minutos! O mesmo acontece com as entrevistas. Quando não gostamos de um assunto trocamos de canal. Simples assim. É claro que nenhum médico quer explicar como realizou uma cirurgia complicada em apenas três minutos. Mas, se conseguir focar apenas o essencial vai esclarecer um trabalho árduo e difícil até mesmo para os leigos.
Falar na TV é muito diferente do que estamos acostumados quando vamos dar aula, fazer uma palestra ou coordenar uma reunião. É tudo mais dinâmico, objetivo e curtinho. Por isso, é preciso se preparar antes. Selecionar o que é mais importante do conteúdo que você quer falar ajuda muito na hora do diálogo com o jornalista. Não decore. Apenas se foque no que é essencial. Também tenha em mente que você precisará falar com pessoas que não entendem nada do seu assunto. A simplicidade é a sua melhor amiga nesse momento. Fale como se explicasse o seu trabalho para a sua diarista. Ou você acha que ela também não se interessa por economia ou política?
Tenho certeza de que o que você tem a dizer é muito importante. Como telespectadora que sou, e não apenas como Editora chefe, sei que posso aprender e muito com os nossos entrevistados. O público também pensa assim. Você só precisa convencê-lo a continuar vendo a entrevista e a não trocá-la pela novela.

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