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domingo, 23 de abril de 2017

Tire o "mas" das suas relações


        Já pensou se você pudesse encontrar pessoas super legais a maior parte do seu tempo? Pois, então, tenho uma boa notícia a você: sim, isso é possível. As pessoas são classificadas entre boas ou más, bonitas ou feias, magras ou gordas, legais ou chatas como se, de fato, fossem assim. Dependendo do grau de dependência da opinião alheia, é possível que uma pessoa se torne exatamente o que os outros desejam que ela seja.
        Existe, no entanto, uma possibilidade diferente ao se deparar com uma pessoa. E se você pudesse ver nessa pessoa aspectos positivos e alegres? Não estou dizendo que é para sair abraçando pessoas que não gosta ou desconhecidos. Mas, elaborar melhor uma imagem que se tem do outro. E, ao fazer isso, automaticamente, deixará de verbalizar coisas chatas para alguém (ou fazer cara feita, que também é uma maneira de se comunicar).
        As relações humanas, independentemente se são as familiares, entre amigos, no ambiente de trabalho, passam por uma linha tênue chamada expectativa seguida de julgamento. Quando se cria uma imagem de alguém, espera-se que essa pessoa seja exatamente como se imaginou, sem problemas, sem falhas. Talvez essa seja uma projeção de você mesmo(a) no outro (e que é algo que vale a pena prestar atenção diariamente). E, algumas vezes, quando a pessoa não preenche mais os requisitos que você imaginou como essa pessoa deveria ser, então, vem o julgamento. “Ah, essa pessoa é legal, mas meio fora da casinha” – são coisas possíveis de serem pensadas e até verbalizadas.
        O grande lance é que o “mas” pode deixar de existir nas relações. E se, por ventura, você entendesse que essa pessoa pode ter aspectos diferentes do seu? Ter um conhecimento de vida divergente do seu, lidar com as coisas de maneira diferente da sua? Pois, é. O nome disso é respeito, quando se aceita o outro como é, independentemente se o outro corresponde ou não as suas expectativas. Eu sei que esse é um trabalho às vezes árduo porque projetar e julgar são padrões tão comuns na sociedade que parece impossível não entrar na roda-viva de querer julgar alguém. O julgamento por si só não fere alguém porque se não verbalizado ele fere apenas quem o pensou. E falo em ferir porque, efetivamente, criar um julgamento de alguém (geralmente os julgamentos são a construção de uma imagem negativa de alguém) gera um sentimento interior, muitas vezes de dor, ódio ou tristeza. Mas, quando o sentimento é verbalizado muitas vezes pode machucar o outro, que não correspondeu as suas expectativas.
        Então, talvez seja hora de amadurecer sua comunicação prestando atenção nos julgamentos que cria sobre os outros. Olhe as pessoas como se elas pudessem, realmente, contribuir com a sociedade porque, de fato, as pessoas estão tentando dar o seu melhor (ainda que seu julgamento não deixe ver que existe um lado bom nas pessoas com as quais você se relaciona). Toda vez que vir um julgamento à mente, que tal substituir por “essa pessoa é legal. Ponto. Não quero pensar mal dela!” Você não precisa do “mas” para entender que você é você e o outro é o outro. Sendo assim, as pessoas, aos seus olhos e aos meus, se tornam muito mais agradáveis se for permitido que elas sejam exatamente quem elas são, sem atribuir a elas um peso que talvez não exista. Sem “mas”, nem mais, nem menos.

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domingo, 16 de abril de 2017

Não ofenda e não se arrependa!



        Conversas difíceis que muitas vezes levam a trocas de ofensas. Essa cena lhe parece familiar? Pois, é. Quem nunca teve uma briga carregada de palavras pesadas que atire a primeira pedra.
        Os diálogos mais difíceis deixam marcas profundas na pessoa que foi agredida verbalmente, mas também uma sensação muito ruim naqueles que um dia colocam a mão na consciência sobre aquilo que falaram: o arrependimento. Isso porque falar algo pesado (ou ofender mesmo, tentando agredir alguém por meio de palavras) é como congelar um momento. Talvez nem você soubesse que alguém que você gostasse tanto poderia ser tão tirado, tão mentiroso, tão covarde. Mas, numa fração de segundos, a frase é dita e pronto, vem a tristeza, o ódio, a raiva, o ressentimento por aquilo que foi dito.
        Para quem faz uma análise sobre si talvez até se pergunte: “por que eu disse isso desse jeito” e, então, o arrependimento fatalmente vai bater. E ninguém quer ver seu lado mais mesquinho, mas, devo lhe contar que ele existe, tanto para você quanto para mim. Nas situações em que percebi que falei como não devia (porque nem sempre o problema é o que se diz, mas como se diz), busquei entender o que me levou a ter esse comportamento. “Por que tanto ódio num só coração (Rssssss)?” -  já me perguntei. Confesso, que existem situações que nunca mais consegui desfazer depois de algo dito com a intenção de magoar. E, então, entendi, para mim mesma, que era possível mudar isso. E um dos primeiros passos adotados foi “parar de me arrepender”.
        O ditado “em boca fechada não entra mosca” é tão popular quanto seu significado. Se não falar nada, não se cria problemas. Isso não quer dizer que é preciso exercer a passividade em todas as situações vividas. No entanto, se faz necessário dosar aquilo que vai falar. É possível até ser enfático ou enérgico com alguém, mas é possível ponderar suas palavras. 
        Olhe ao seu redor! Já existem muitos conflitos no mundo, ódio, pequenas disputadas e grandes desavenças entre nações. Será que esse não é um momento propício para fazer essa análise? Faço esse questionamento (e até um convite mesmo) justamente na Páscoa porque o feriado religioso é a representação de algo novo (de um renascimento). Então, que tal renovar os votos sobre a maneira como você se comunica?
        Acho interessante que muitas pessoas têm um discurso de paz na ponta da língua. Basta abrir as Redes Sociais para observar diversas mensagens de bondade e amor, vindas de bocas que também machucam. Então, já se perguntou porque você ofende? Ou já percebeu quantas palavras ofensivas há em seu discurso?
        Penso que essa análise é o primeiro passo para modificar o discurso ofensivo. O segundo é uma boa notícia: sim, você pode se domar. Sabe aquela história de que “eu nasci assim”? O século XXI vem mostrar que todos estão dentro de um processo colaborativo e isso não é um marketing do novo milênio. Sim, é preciso encontrar saídas urgentes para problemas simples, longos, seculares ou para inovar no conhecimento. E somente entra nesse processo colaborativo, de verdade, quem deixa seus caprichos de lado, o que só se consegue quando se observa e “se doma” por um bem maior. Não é tão difícil fazer isso, né? 
        E, por último, o arrependimento não é um sentimento que vai lhe fazer crescer, de fato. Ficar com aquela sensação de vergonha sem fazer nada para que isso mude, não proporciona a paz para ninguém. Então, que tal não ter motivos para se arrepender?


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terça-feira, 4 de abril de 2017

Não falar

       
      Esses dias atrás tive uma experiência nova diante de uma afonia: eu só podia ouvir, não podia falar. A obrigação de ouvir me fez perceber algumas coisas que talvez, com uma fala perfeita, não tivesse reparado.
        Uma delas é que, no exercício da comunicação, não falar pode ser muito bom. Não necessariamente é importante falar quando se está com alguém do lado ou quando se está compartilhando um momento legal. Entendi que sentir pode ser mais legal do que falar. E mesmo quando eu tinha vontade de falar, e não podia, os outros entendiam completamente o que eu dizia, mesmo sem dizer nada.
        Não falar pareceu uma vantagem imensa, em alguns pontos. Não fazer aquele comentário indelicado diante da piada boba, não cuspir marimbondos em que não merecia. Entendi que, ao não falar, escutava mais profundamente meus próprios pensamentos, sentimentos. E pude perceber também como meus pensamentos falam, meu Deus!
        Mas, foi tão interessante não dar força a eles. Por que preciso sempre verbalizar tudo o que penso? Não dá para, simplesmente, não falar? E assim, aconteceu.
        Também entendi que não falar pode ser muito útil para administrar a própria vida. O quanto de energia se coloca na fala? Comecei a entender que posso ser muito seletiva naquilo que vou dizer. E me mostrou que reagir verbalmente pode ser uma imensa perda de tempo porque é preciso ter força para sustentar um ponto de vista.
        Não quero dizer que fazer uma desconstrução da sua fala é um exercício para todos os dias. Não. Mas, às vezes é preciso silenciar a fala para entender o coração, para se compreender em outro ritmo.
        Por fim, gostei muito de recuperar minha voz. Mas, também percebi que prefiro ouvir minhas risadas, do que proferir palavras aos ventos. É como se ouvir internamente. E como é bom!



domingo, 19 de março de 2017

Outonar


          Sinto um vento mais fresco batendo no rosto e a sensação de serenidade tomando conta. É o Outono chegando anunciando que é hora de aquietar.    
        A estação do ano mais conhecida pelas folhas caídas, temperaturas amenas e uma vontade de não fazer nada interfere diretamente em nosso coração, no ritmo de vida e na comunicação.
        A paisagem do sol extremo, tão frequente no Verão, e que permite viver para fora, beber, comer, sambar, ficar até mais tarde na rua, aos poucos vai sendo substituída por dias frescos, clima mais nublado, folhas no chão e tapetes naturais marrons sendo construídos nas ruas de boa parte das cidades do Hemisfério Sul. Um cenário que permite (não exige, mas pré-dispõe) a olhar para dentro. A aquietar a mente e o coração e a se comunicar mais introspectivamente, como se todos os dias fosse um domingo mais calmo, acompanhado de uma boa xícara de chá.
        Essa é uma época propícia para contemplar, respirar, enxergar as ideias dentro de si, os sentimentos, as dores. Não como uma sinfonia melancólica de uma ópera triste. Mas, um parar, digerir, compreender, se permitir a se ouvir sem pressa, sem ruídos latentes ou desejos urgentes que rompam a interiorização. 
        O Outono não serve para todo mundo. Tem gente que vai ser mais Verão e outros serão um completo Inverno. Mas, talvez, essa época, seja um momento ideal para simplesmente ser, sem ter que interagir tão reativamente, como um jejum para a própria comunicação, num movimento para Outonar.



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domingo, 12 de março de 2017

Pelo direito de permanecer calado

        Há uma enxurrada de informações vindas de todos os lados. E há também muitas opiniões que acompanham essas informações. Nos dias de hoje, é comum pessoas comentarem sobre absolutamente tudo, inclusive de assuntos dos quais não têm conhecimento.
        Um fato mais facilmente notável nas redes sociais, onde qualquer pessoa pode opinar sobre qualquer tema. De certa forma, essa é uma demonstração de que a democracia (ou chame do que quiser) existe de fato, pois a livre expressão é a maior representação da liberdade.
        O que trago como reflexão é: por que é importante opinar? Anos atrás quando eu fazia mestrado, descobri autores que defendem que saber da vida alheia, nem que seja a do vizinho, é um daqueles itens que faz qualquer ser humano se manter vivo. E mais, não basta apenas saber da vida alheia, mas opinar sobre a mesma. Talvez isso explique a enxurrada de opiniões que se observa todos os dias nas redes sociais, por exemplo.
        Mas, (sempre há um “mas”), particularmente penso que nem sempre a opinião é necessária. E pode ser, talvez, extremamente cansativo opinar sobre todas as situações vivenciadas (ou apenas observadas no seu dia-a-dia). Lidar com as situações rotineiras já envolvem bastante opinião, se pensar bem. Você terá que opinar nas metas da empresa, nas decisões do que comprar no supermercado, nos afazeres domésticos.  Se já é trabalhoso tomar decisões simples e as verbalizar em sua rotina, por que se entupir de mais informações e ainda opinar sobre elas?
        Claro, como dizem os teóricos (e o chavão popular mesmo) a grama do vizinho é mais verde, então, comentar sobre as celebridades, sobre um post de blog, sobre o apontamento de uma amiga no Facebook é bastante tentador.
        Penso, porém, que tenho preferido usar o direito de permanecer calada, e apenas ver e ouvir sem ter que opinar ou fazer um julgamento sobre algo. Num português bem claro, não tenho mais saco para tantos fatos, tantas informações e muito menos para opinar sobre tudo. É evidente que existem eventos que acontecem no mundo e que podem ser bastantes interessantes, mas, particularmente vou usar meu direito de permanecer calada (ainda que seja comunicadora e blogueira) diante principalmente das informações que não acrescentam, das brigas toscas do Facebook, das opiniões repletas de maldades ou indiretas, sobre as opiniões radicais.
        Porque penso que se for abrir a boca para não contribuir verdadeiramente com o outro ou com uma situação, não vale a pena emitir uma opinião.




p.s: o título desse post não tem nada a ver com o direito constitucional de permanecer calado. Para entender, um pouco, sobre esse direito, sugiro essa matéria:


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domingo, 5 de março de 2017

Afeto

             
        Em dias muito agitados, captar uma demonstração de afeto é um alívio para a alma. E quando falo de afeto, falo de carinho mesmo. Tenho uma sensação muito boa de que as pessoas acordaram para viver, sem medos, sua afetividade.  É muito interessante a imensa quantidade de pessoas que está se permitindo ter mais carinho (e demonstrar mais afeto), principalmente nos últimos anos.
        Não que o afeto tenha caído de moda, aliás, ele sempre acompanhou o homem ao longo da história. Mas, há uma sensação de que o afeto tomou conta das redes sociais (ok, você vai falar que há muitas brigas políticas no seu Facebook, mas tirando elas, há muito afeto se prestar atenção).
        Um exemplo disso são os inúmeros vídeos que acabam virando notícia até no “hardnews”, justamente por demonstrar a afetividade. Esses dias estava assistindo a um documentário pautado numa pesquisa em que falava que é o afeto que fez a humanidade chegar onde está e não a competitividade. Muitas vezes a ciência se baseou na lei de Darwin, que diz sobrevive a espécie que melhor se adapta às mudanças. Fisicamente, sim. Mas, o cientista do tal documentário complementou: “foi o afeto entre as pessoas de diferentes povos, culturas, línguas e religiões que permitiu as pessoas se unirem para evidenciar o melhor que há dentro de cada um, tornando a Terra um lugar mais habitável” – afirmou o cientista.
        Mas, muitas vezes se quer olhar para a afetividade como algo distante ou que se tem somente em casa, com a família. Será? Já parou para pensar quanta afetividade é verbalizada em seu trabalho? Quantas vezes um bom dia é carregado de um tom otimista? Ou quando uma palavra de carinho é dita no meio daquela reunião difícil?
      Infelizmente, o afeto ainda é confundido com falta de seriedade. Lembrando que verbalizar palavras afetivas não irá diminuir seus talentos, mas muita gente pode confundir com cantada, por exemplo e, de fato, esse é um limiar tênue. Mas, honestamente, penso que se ficar com receio de demonstrar afetividade porque outra pessoa pode entender errado, tudo ficará difícil, pois o amor não conseguirá transpor as barreiras mais pesadas e a vida será essa história que muita gente acredita de “matar um leão por dia”. Que tal, então, dar uma chance para a afetividade? 
        Seja carinhoso(a), amoroso(a), potencialmente piegas com as palavras, rssssss, mas não deixe murchar a força mais linda que existe dentro de cada um, que é o afeto. 



quarta-feira, 1 de março de 2017

Acolher


          Acolher é uma daquelas palavras que trazem uma sensação muito boa quando dita. Já pensou nos sentimentos felizes sentidos quando se é acolhido por alguém? Como amor? Conforto? Realização?
        Ser acolhido é um desejo de todas as pessoas. Em algum momento você vai desejar ser acolhido, receber uma atenção num momento mais introspectivo, de dúvida, urgência ou de alegria. Mas, você já notou que em boa parte dos discursos não existe o acolhimento?
        Talvez a pressa, o desejo de expressar as necessidades mais urgentes tem feito dos diálogos verdadeiros monólogos. Ou seja, há muitos discursos soltos sem que os sentimentos expressos, tanto por quem fala quanto por quem ouve, possam ser tocados.
        Dentro dessa correria insana “imposta” pelo ritmo de vida, muitas pessoas parecem repetir ecos desesperados como: “não tenho tempo” ou “tenho que fazer isso”. Essas são daquelas frases possíveis de serem ouvidas desde o elevador até numa reunião mais séria. E isso é um reflexo de que não se está prestando atenção aos próprios sentimentos. Presta-se muita atenção ao que deve ser feito, mas não no como você está se sentindo hoje.
        É interessante observar que uma das maiores redes sociais da atualidade faz essa pergunta e muita gente responde. Uma sugestão: por que você não faz essa pergunta a si mesmo? Como eu estou hoje? Prestar atenção daquilo que passa em seu coração é um dos primeiros passos para acolher o outro porque o acolhimento passa, antes de tudo, por acolher a si mesmo. Se você não sabe como está se sentindo, dificilmente saberá lidar com a necessidade do outro.
        Sei que esse é um texto introspectivo que vai exigir um pouco mais de profundidade, mas convido você, leitor(a) a debater esse tema, a fundo. Mais do que observar como você se sente naquele dia é interessante perceber como se sente diante do todo: como reage em determinada situação x? Como pensa quando alguém apresenta um argumento mais difícil como, por exemplo, uma demonstração de raiva?
        Acolher é uma ação que propicia ajudar o outro independentemente do contexto e que permite receber o outro como ele é, sem julgamentos. Então, quando alguém está tendo um acesso de raiva é mais fácil julgá-lo dizendo “nossa, como a pessoa é brava”, sem entender o contexto que levou a pessoa a agir assim. Entendo que, dificilmente, alguém terá sangue frio para fazer essa reflexão imediatamente quando alguém está num acesso de raiva. Mas, (e sempre há um porém), é possível ouvir. Acolher não é apenas abraçar e, infelizmente, é facilmente confundido com passar a mão na cabeça. No entanto, você já pensou o quanto seria interessante quando você tivesse um acesso de raiva ou tristeza alguém não julgar seu comportamento e simplesmente ouví-lo? (ou ainda perguntar: por que você está com raiva?)
        Você já tentou acalmar alguém apenas ouvindo-o? Creio que em boa parte do tempo as pessoas estão tentando dar o exemplo do que a pessoa deveria fazer em vez de perceber o que o outro está sentindo. Não à toa, muitas pessoas desistem de falar sobre aquilo que sentem, em alguns casos ampliando ainda mais as barreiras entre uma pessoa e outra.
        Dar o exemplo não é acolher,  mas mostrar um caminho sobre o que você acha que o outro deva fazer em determinada situação (e ás vezes é se exibir mesmo). Mas, tem horas em que uma pessoa não precisa de caminhos. Precisa de acolhimento e a sensibilidade se faz necessária para perceber isso. É preciso respeito ao momento do outro, de seu tempo, de suas escolhas. Não estou dizendo que se tem que valorizar, por exemplo, o pessimismo de um colega de trabalho. Mas, em vez de criar a resistência, já buscou ouví-lo uma única vez, sem criar julgamentos?
        A falta do acolhimento vem de inúmeras projeções dogmáticas da sociedade em que quando alguém fala de seu sentimento, ou quando se pensa nas emoções, é considerado uma pessoa mais fraca. Outro dogma é que as pessoas precisam estar sempre fortes e superar todos seus desafios. Numa sociedade competitiva e pautada na imagem, falar sobre aquilo que sente ou que lhe incomoda se tornou meio fora da casinha. Então, de modo geral, quando alguém fala de uma dificuldade sua, por exemplo, sempre há aqueles que vão apontar o dedo dizendo o que o outro deva fazer ou o que você deveria ser. Cabe a cada um avaliar se consegue resolver uma situação dessa ou daquela maneira e, particularmente, acredito que não cabe a ninguém julgar o quanto a pessoa precisa ser forte nesse ou naquele ponto. 
        E para finalizar, penso que acolher é uma maneira de diminuir os ruídos, conflitos, de demonstrar compaixão e carinho e de amenizar situações que estão mais latentes. Acolher pode ser uma maneira de dar e receber amor, de buscar um caminho mais suave para tudo o que se vive, sem criar uma expectativa sobre como você deseja que os outros sejam, apenas aceitando-os em sua totalidade, ainda que você desejasse que fossem de maneira diferente. Quando puder, acolha com todo o seu coração sem medo, sem julgamentos, apenas permita receber o outro. Talvez esse gesto simples possa ser transformador.




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Destensione!


       É muito interessante perceber a sensação de agitação nos dias de hoje. É como se a maioria das pessoas estivesse correndo uma maratona e não pudesse parar um único segundo sequer.
       Evidentemente, fazer tudo ao mesmo tempo (ou tentar, pelo menos) pode ser excelente para trazer resultados, como no trabalho, por exemplo. Por outro lado, pode atrapalhar uma das ferramentas mais utilizadas no seu dia a dia: a comunicação.
        Você já reparou o que comunica na sua rotina? E a maneira como realiza comunicações simples como fazer pedidos, estabelecer ordens ou simplesmente comentar sobre algo? Pois bem, posso dizer que nem sempre a comunicação acompanha os atos de cada um. Diante de um cenário atual em que tudo parece muito urgente, fatalmente a comunicação será a primeira a ser prejudicada. Explico: se você está correndo demais, possivelmente nem irá perceber o que está falando a outra pessoa. Além disso, existe uma tendência (não digo que é com todos, por isso chamo de tendência) de que durante uma situação de estresse ou mais tensão a comunicação também seja bastante tensa.
        E aí, mora o perigo! Quanto de tensão você está transmitindo por meio da sua comunicação? Palavras que surgem pesadas demais, respostas às vezes automáticas, tom ríspido e até mal educado. Veja, estar tenso não é um estado natural do ser humano. Se o estresse anda lhe pegando ele será verbalizado de alguma maneira. Então, talvez seja hora de começar a observar algumas coisas.
        A primeira delas é: será que você sabe o que é urgente? Para realizar bem tarefas e estar presente durante a realização das mesmas é necessário fazer escolhas. Então, uma sugestão é jogar fora àquilo que não for urgente. Repasse, delegue.
        A segunda é: não culpe ninguém pelas escolhas que fez. É muito comum, quando diante de uma situação tensa, apontar o dedo para alguém. Não se coloque como vítima do mundo e das situações, afinal, você escolheu sua vida, sua rotina. Toda vez que dou curso de comunicação assertiva falo algo brincando que no fundo tem uma verdade: resolva sua afetividade. Isso vai lhe ajudar a economizar um tempo incrível pelo simples fato de que você para de culpar os outros por aquilo que não consegue resolver consigo mesmo e isso ajuda na sua comunicação.
        Por isso, observe como você amanhece. O terceiro ponto a se observar é: escute seus sentimentos antes mesmo de colocar seus pés no chão. Será que ando irritado(a) demais? Essa auto percepção  ajuda a entender que o problema no trabalho, por exemplo, pode não ser aquela colega que você não gosta, mas a maneira como você olha para ela. Por que será que ela lhe incomoda tanto? Talvez toda a raiva que você sinta dela esteja dentro de você e não nela. Observe-se todas as manhãs.
        A quarta coisa a ser pensada é: busque ajude. Não fique pensando que todas as pessoas sabem o que estão fazendo. Ninguém sabe ao certo. Mas, ficar tendo auto piedade de si mesmo porque você não consegue resolver seus conflitos é desolador. É praticamente um autoflagelo. Bom, não sei o quanto você quer ficar nessa situação, mas, honestamente com existe tão pouco tempo livre nos tempos hipermodernos, é melhor aproveitar a vida tendo bons pensamentos, bons momentos, boas companhias, bons papos e ajuda nunca é demais.
        O quinto ponto é: destensione. Sei que não existe essa palavra, mas ela é ótima.  Destensionar significa usar uma palavra mais leve quando o clima está tenso. É não levar em conta o comentário besta da prima distante no almoço em família. É rir por dentro quando um colega estiver se descabelando por nada. É entender que mesmo numa urgência é possível parar, respirar, analisar e agir. Já viu bombeiro agindo no desespero? Não existe! Eles são treinados justamente para assumir uma postura de tranquilidade quando há uma emergência (e não apenas urgência).
        Destensione aquilo que fala, a maneira como enxerga as coisas. Destensione seus papos (pare de ficar reclamando do clima, do salário), destensione suas relações (evite pessoas que não acrescente).  E, então, relaxe e aproveite seu dia. Afinal, você merece!



domingo, 12 de fevereiro de 2017

Assumindo sua comunicação



        Como o primeiro post do ano, geralmente, coloco as boas-vindas aos navegantes. Então, seja bem-vindo(a)!
        Percebi, logo no início de 2017, que esse seria um ano em que a comunicação deve estar presente em todos os momentos. Não é nenhuma visão futurística de 2017. Apenas uma constatação e, por isso, talvez relevante.
        Assim como o ano de 2016 pediu muita responsabilidade nos atos, é bem provável que o cenário seja o mesmo esse ano. E responsabilidade geralmente é traduzível por meio da comunicação.
        Por isso, estar consciente de tudo aquilo que fala antes, durante e depois de cada momento vivido pode fazer toda a diferença para o que se quer “plantar” para esse ano. Que todos estão vivendo momentos de muita agitação, isso é um fato. No entanto, é preciso estar presente, atento, reflexivo sobre as palavras que deseja proferir.
        Não falo, no entanto, do falar robótico ou manipular as pessoas, como quem tem uma palavra calculada. Imagino um falar com mais parcimônia, mais reflexivo, dosando as palavras, com menos paixões para que seu diálogo possa efetivamente contribuir.
        E, penso cá com meus botões que é hora de assumir a maturidade na comunicação. Por isso, a sugestão que dou como blogueira comunicadora é: reflita sobre o que você deseja comunicar, no como deseja comunicar, nas palavras que escolhe para traduzir seus sentidos para não “colher espinhos” ou raivas. É evidente que os conflitos serão inevitáveis. Mas, torço para que, então, seus debates sejam realizados com sabedoria e discernimento.
        Que esse seja um ano das comunicações claras, das traduções simples, dos significados alcançados, com menos grosserias, menos ofensas, menos provocações desnecessárias, menos palavras que não irão contribuir. E que, se possível, as palavras reflitam o que está no coração de cada um. 
        Que a comunicação mais efetiva lhe acompanhe em cada minuto! 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Um ano novo a cada dia



        Parece uma obviedade o que vou falar, mas existe um tratamento especial com o réveillon. É como se as pessoas se preparassem para um ritual de passagem que permitisse fazer com que, num único dia, começassem a acreditar que algo novo virá. Uma renovação das esperanças de que o próximo ano será, no mínimo, melhor do que passou.
        Tenho um olhar um pouco diferente a respeito do réveillon e penso que talvez mais pessoas tenham sensações parecidas quando o assunto é “ter um ano melhor”. Ancestralmente, datas existem para marcar acontecimentos. O Natal marca o nascimento de Jesus (ainda que muitos contestem que ele tenha nascido nessa data). O carnaval marca um momento de folia, desprendimento, despreocupação. Aniversários marcam uma data nova no calendário de cada um e também traz essa perspectiva de algo novo.
        Marcar datas muitas vezes é legal porque, geralmente, vem acompanhadas de celebrações e celebrar é algo quase divino. É aquele momento em que se compartilha a alegria. Mas, o que isso tem a ver com o ano novo?
        Bom, o réveillon também é aquele momento simbolizado por festa e muitas intenções de mudanças. Acredita-se que terá mais dinheiro, talvez outro namorado ou ainda uma carreira nova. E, claro, não há nenhum problema em se pensar nisso. Mas, há alguns anos observo que o réveillon não tem o mesmo sentido para mim do que para as pessoas, de modo geral. Comecei a entender que ficava muito mais feliz com pequenas situações que conseguia resolver no meu dia a dia do que o réveillon em si. E que havia parado de fazer promessas que não poderia cumprir.
        E, então, entendi que tinha a mesma alegria de rever os amigos que moram em outra cidade (e que vejo só de vez em quando) que as festas que participava na passagem de ano. Uma alegria renovadora. Entendi também que passei a ter mais esperança quando superava obstáculos que pareciam intangíveis. Entendi que iniciava um ano novo quando conseguia mudar crenças enraizadas dentro de mim. Isso sim proporcionava uma enorme sensação de ano novo porque trazia a certeza de que é possível de mudar até mesmo àquelas coisas mais difíceis em si. Comecei a entender que meu ano começava quando eu vencia medos, assumia riscos, quando conhecia novos amigos. Meu ano começava quando conseguia enxergar não mais mudanças externas, mas todo aquele conjunto de ações que me levaram a ser o que hoje eu sou. Pelo menos para mim, isso é o ano novo. É o se permitir refazer dentro de seus propósitos, é se ouvir sem medo, se orgulhar de sua jornada, de tocar seus sentimentos sem receio de que eles não sejam bons.
        Aliás, não existem apenas coisas boas na vida, mas quando se consegue resolver dos mais simples aos mais difíceis dos “problemas” é como se um ano novo se iniciasse para que você (e eu) pudesse escrever mais um ano que deseja.
        Penso que não existe um ano novo, existe um olhar novo sobre o ano que virá. E, pelo menos para mim, 2016 já teve muitos anos dentro de um só, repleto de mudanças. E que venha 2017! Ou muitos dos 2017 que cabem dentro de 365 dias.
        Que venha um ano novo a cada dia.

p.s: vou tirar férias do blog por 30 dias. Também mereço descanso, rssss. Mas, existem mais de 200 textos nesse blog que podem ser lidos por você, leitor(a), nesse mês de janeiro de 2017.

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